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LIBER CLXI

O.T.O.

TRATANDO DA LEI DE THELEMA

 

Uma Epistola escrita ao professor L...B...K..., que esperava ele mesmo pelo Novo Aeon, tratando da O.T.O. e de sua solução de diversos problemas da Sociedade Humana, particularmente esses concernentes à Propriedade Privada; agora disponibilizada para Circulação Geral.

Meu caro Senhor:

Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei.

Alegrou-me receber a sua carta de inquérito quanto à Mensagem do Mestre THERION.

O Senhor notou, naturalmente, que à primeira vista há pouca diferença entre a Nova Lei e o padrão de Anarquia; e o senhor pergunta: "Como será a Lei cumprida no caso de dois meninos que querem comer a mesma laranja?" Mas desde que uma laranja contém suficiente nutrição para (no máximo) apenas um menino, é evidente que um deles se engana ao supor que é essencial para a sua Vontade ingeri-la. A questão deve então ser decidida da boa e velha forma: por briga. Tudo que nós pedimos é que a briga seja cavalheiresca, demonstrando respeito para com a coragem do vencido. "Lutai como irmãos!" Em outras palavras, existe na O.T.O. apenas esta diferença do nosso presente estado social: as maneiras individuais são melhoradas. Há muitas pessoas que são por natureza propensas à escravidão; que não tem ânimo para lutar, que abjetamente cedem tudo a qualquer um suficientemente forte para exigir. Tais pessoas não podem aceitar a Lei, por falta de capacidade intrínseca. Isto também é compreendido e incluído nas instruções do Livro da Lei: "Os escravos servirão". Mas conosco, é possível que qualquer escravo aparente prove seu direito de ser livre lutando contra os seus opressores, tal como é no mundo; com esta chance adicional em nosso sistema: que a conduta dele será vigiada atentamente por nossas autoridades; e sua coragem recompensada por admissão às coortes dos homens livres. Além do que, um tratamento decente lhe será assegurado em qualquer caso.

O senhor poderá perguntar como uma tal fiscalização da sociedade é possível. Existe uma única solução para este grande problema. Tem sempre sido admitido que a forma ideal de governo é aquela do "déspota esclarecido"; e despotismos fracassaram apenas porque foi impossível, na pratica, assegurar a benevolência desses no poder. As regras de cavalaria no ocidente, e aquela do Bushido no oriente, proporcionaram a melhor chance para desenvolvimento de governantes do tipo desejado. A cavalaria fracassou principalmente porque foi defrontada por novos problemas; hoje em dia nós sabemos perfeitamente quais eram esses problemas, e podemos solucioná-los. É geralmente compreendido por todos os homens educados e cultos que o bem estar geral é necessário ao máximo desenvolvimento do bem estar privado; e os problemas de democracias por eleição direta são em grande parte devidos ao fato que os homens que sobem ao poder são freqüentemente criaturas desprovidas de qualquer educação ou cultura.

Eu gostaria de chamar a atenção do senhor para o fato que muitas ordens monásticas, tanto na Ásia quanto na Europa, tem sobrevivido a todas as mudanças políticas, e assegurado vidas relativamente úteis e agradáveis a seus membros. Mas isto tem sido possível unicamente porque uma vida restringida foi imposta. No entanto, houve ordens de Monges guerreiros, como os Templários, que cresceram e prosperaram extremamente. O senhor se lembrará de que a Ordem do Templo foi derrubada apenas por um golpe de estado traiçoeiro por parte de um rei e de um papa que viam o seu programa reacionário, obscurantista e tirânico ameaçado por esse cavaleiros que não tinham escrúpulos de adicionar a sabedoria do oriente à ampla interpretação que sua ordem fazia do cristianismo;

Cavaleiros que representaram naquela época um movimento em direção à luz da cultura e da ciência que foi trazida à fruição em nossos próprios dias pelos esforços de orientalistas como Von-Hammer-Purgstall, Sir Willian Jones, Professor Rhys Davids e Madame Blavatsky, para não falarmos de filósofos como Nietzsche por um lado, ou dos melhores trabalhos de Darwin, Huxley, Tyndall e Spencer por outro.

Eu não tenho simpatia para com pessoas que gritam contra o direito de propriedade, como se tudo que os homens desejam fossem necessariamente maligno; o instinto natural de todo homem é ter coisas; e enquanto os homens forem deste humor, tentativas de destruir o direito de propriedade permanecerão não apenas inúteis, mas deletérias para a comunidade onde quer que sabedoria e delicadeza o administrem. O homem médio não é tão irrazoável quanto o demagogo, para seus próprios fins egoístas, pretende que ele é. Os grandes proprietários de todas as épocas foram capazes de criar uma família feliz de seus dependentes; lealdade e dedicação até à morte foram recompensa deles. O segredo de tais proprietários consistiu principalmente nisto: que eles se consideravam responsáveis por suas posses, e encaravam como vergonha para si mesmo se qualquer dos seus dependentes passasse fome sem necessidade. O novo-rico de hoje em dia não tem este sentimento; ele tenta constantemente sua pretensa superioridade por exibições de poder; e tirania é a sua única arma. Em qualquer sociedade onde cada membro ocupa sua posição natural, e esta posição é acatada por todos os membros, respeito mútuo e respeito próprio aparecem. Todo homem é, a seu modo, um rei; ou pelo menos, herdeiro de um rei. Nós temos muitos exemplos de tais sociedades hoje em dia, especialmente universidade e associações desportivas. O remador número 5 do clube de regatas não se vira no meio de uma corrida para censurar o número 4 por ser apenas o número 4; nem discutem o goleiro e o ponteiro de um time craque de futebol porque suas funções no time são diversas. Deve ser notado que onde quer que trabalho de equipe é necessário, tolerância mútua é essencial. O soldado raso enverga um uniforme, tanto quanto o seu oficial; e em qualquer exercito bem treinado se ensina ao soldado raso padrões de honra e de respeito à farda. Este sentimento, mais que mera disciplina ou a posse de armas, faz do soldado um cidadão moralmente superior a qualquer outro que não esteja assim munido de natural respeito por si mesmo e por sua profissão.

Graduados de grandes universidades que passaram por alguma grave crise ou tentação freqüentemente me tem dito que a base de sua resistência nessa época foi a consciência das tradições da sua instituição. Muito disto é evidentemente pressentido pelas pessoas que desejam restabelecer as antigas agremiações de obreiros características da Idade Média. Mas receio estar divagando

Entretanto, já coloquei diante de si os pontos principais da minha tese. Nós precisamos estender à sociedade inteira aquele peculiar sentimento de "noblesse oblige" que existe em nossas instituições mais bem sucedidas, como os serviços públicos (quer militares, diplomáticos ou administrativos), as universidades, e aos clubes. Céu e inferno são estados mentais; e se o Diabo realmente é altivo, seu inferno pouco pode feri-lo.

É isto, então, que eu desejo acentuar: esses que aceitam a Nova Lei, a Lei do Aeon de Horus, da criança coroada e conquistadora que substitui em nossa teogonia a sofredora e desesperada vitima do destino, a Lei de Télema, que é Faze o que tu queres, esses que aceitam esta Lei (digo eu) sentem-se imediatamente reis e rainhas. "Todo homem e toda mulher é uma estrela" é a primeira asserção do Livro da Lei. Em LIBER OZ os corolários sociais desta Lei estão estabelecidos com simplicidade e segurança, e não é necessário que eu importune o senhor com mais citações.

O senhor dirá imediatamente que tais reis e rainha podem não suportar bem a fome e o frio. O pensamento ocorreu o igualmente ao nosso fundador, e eu me esforçarei por lhe expor o esquema do plano dele para evitar que um tal infortúnio (ou pelo menos que uma tal ordália) ferisse seus companheiros.

Em primeiro lugar, ele se valeu de uma certa organização cujo governo lhe foi oferecido, a saber, a O.T.O. Esta grande Ordem aceitou a Lei imediatamente, e foi justificada pela súbita e grande revitalização das usas atividades. A Lei foi dada ao nosso fundador há sessenta e dois anos; a O.T.O. veio às mãos dele oito anos após, no ano vulgar de 1912. Não deve ser suposto que ele se manteve ocioso durante o período prévio; mas ele era muito jovem, e não teve idéia de tomar medidas praticas para espalhar a Percepção da Lei; ele continuou seus estudos.

No entanto, com o crescimento súbito da O.T.O. de 1912 e.v. para cá, ele começou a perceber um método de por a Lei em pratica coletiva, de tornar possível para homens e mulheres que vivam no mundo de acordo com os preceitos estabelecidos no Livro da Lei, e realizem suas vontades – eu não quero por isto significar a gratificação de desejos efêmeros, mas sim o cumprimento de seus próprios destinos. Pois desde que este universo está em equilíbrio, e, portanto a soma total de suas energias é zero, toda força nele é igual e oposta à resultante de todas as outras forças combinadas. O Ego é, portanto sempre exatamente igual ao Não-Ego, e a destruição de um átomo de hidrogênio é tão catastrófica para a conservação da matéria e da energia como se um milhão de esferas fossem aniquiladas pela vontade de Deus. Eu estou bem cônscio de que neste ponto o senhor poderia me atrair à controvérsia entre livre-arbítrio e destino; o senhor tornaria difícil para mim dizer se quer que é melhor cumprirmos nosso destino conscientemente e alegremente, que com a inércia de uma pedra; mas eu estou em guarda; e voltarei à chã política e ao bom-senso.

Nosso fundador, portanto, quando considerou este assunto de um ponto de vista puramente prático, lembrou-se daquelas instituições com as quais ele estava familiarizado e que eram prósperas. Ele pensou em mosteiros como Monsalvat, universidades como Cambridge, clubes de golfe como Hoylake, sociais como Lyons; pensou em sindicatos e corporações; e, tendo viajado pelos Estados Unidos da América, pensou em cartéis. Em sua mente ele expandiu cada um destes à sua N-ésima potencia, ele os amalgamou como químico habilidoso que era, ele considerou suas vantagens e suas limitações; numa palavra, ele meditou profundamente sobre o assunto inteiro, e concebeu uma sociedade perfeita.

Ele viu todos os homens livres, todos os homens respeitados; e ele plantou a semente de sua Utopia entregando sua própria casa à O.T.O., a organização que operaria seu plano, sob certas condições. O que ele previra ocorreu; cedendo sua casa, ele se tornou proprietário de mil. Ele renunciou ao mundo, e viu o mundo ao seus pés.

Eliphas Levi, o grande magista do século passado, cuja filosofia tornou possível a extraordinária renascença da literatura na França pela sua doutrina de auto-suficiência em arte ("Um belo estilo é uma aureola de santidade"), profetizou do Messias numa passagem notável. Nosso Fundador a tornou realidade.

Eu não disponho aqui do volume, levando como estou a vida de eremita em New Hampshire; (mas a suma é que reis e papas não tem poder para redimir o mundo porque se circundam de horárias e pompa. Eles possuem tudo que os outros homens desejam, e por isto seus motivos são suspeitos. Se qualquer pessoa de posição, diz Levi, insistir em levar uma vida de inconveniência e agrura quando poderia fazer de outra forma, os homens confiarão nessa pessoa, e ela poderá realizar seus projetos par ao bem-estar geral da comunidade. Mas naturalmente essa pessoa deverá tomar o cuidado de não relaxar suas austeridades à medida que seu poder aumente. Tornemos pompa incompatível com o poder, e o problema social está resolvido.)

"Quem é aquele velho desdentado e esfarrapado tentando mastigar uma côdea seca em frente à aquela choupana?""Aquele é o presidente da República." Onde honra é o único bem que pode ser obtido pelo exercício do poder, o homem no poder se esforçara apenas por obter honra.

O acima é um caso extremo; ir tão longe seria inconveniente, pois tornaria difícil a tarefa do administrador; e em qualquer caso, é impossível que o Presidente tenha provado caviar e rodado em carros de luxo antes de ingressar na política.

O senhor perguntará como isto funciona em pratica. É muito simples. Na Ordem, autoridade e prestigio são absolutos; mas enquanto os graus mais baixos outorgam aumento de privilégios, os graus mais altos exigem aumento de serviço. Poder na Ordem depende, portanto, diretamente da boa-vontade de auxiliar os outros. Tolerância, também, é inculcada nos graus mais altos; de forma que ninguém pode ser sequer um Inspetor da Ordem sem estar equanimente disposto para com todos os tipos de opiniões. O senhor pode ter seis esposas, ou nenhuma; mas se o senhor tem seis, requer-se que o senhor não permita que todas falem ao mesmo tempo; e se o senhor não tem nenhuma, requer-se que o senhor não amole as outras pessoas gabando-se de sua pretensa virtude. Esta tolerância é ensinada através de um curso especial cuja natureza seria tanto imprudente quanto impertinente divulgar; eu lhe pedirei que me creia quando digo que o curso é eficiente.

Com esta provisão, é fácil vigiar para que a intolerância e pretensão sejam impossíveis; pois o exemplo dado pelos membros dos universalmente respeitados graus mais altos combate tais sintomas. Eu posso acrescentar que esses membros são ligados entre si por participação em certos mistérios que culminaram numa síntese climática, na qual um segredo único é comunicado; o segredo que soluciona para sempre toda divisão nestas fontes constantes de desarmonia, sexo e religião. A posse desse segredo outorga aos membros que o merecem uma tão calma autoridade que o perfeito respeito que lhe é devido jamais lhes falta.

Assim, então, o senhor vê irmãos coabitando em união; e o senhor poderá se perguntar se desejo de posse pessoais não causaria divisão. Pelo contrário: precisamente este assunto tem sido um excelente motivo de prosperidade geral.

Na maioria dos casos neste mundo, propriedade pessoal é desperdiçada. Uma pessoa tem seis casas; uma permanece desalugada. Outra pessoa tem 20% das ações de uma certa companhia; e é bloqueada pela pessoa que possui 51%.

Existem mil perigos e inconveniências na posse das coisas deste mundo que, como o senhor poderá notar, torna carecas aqueles que se apegam a elas.

Na O.T.O. toda esta inconveniência é evitada. Qualquer propriedade que qualquer membro da Ordem queira é entregue aos Grandes Oficiantes, quer com dádiva, quer como cura. Neste último caso, a propriedade é administrada nos interesses do membro. Quando propriedade é assim acumulada, imensas economias se tornam possíveis. Um advogado faz o trabalho de cinqüenta; agentes de aluguel alugam casa em vez de pedirem luvas despropositadas a possíveis inquilinos; a O.T.O., e não meia dúzia de acionistas isolados e impotentes, controla a companhia. O que quer que a O.T.O. faça, ela faz com todo o seu poder; opor-se a um tal acúmulo de energia é como se opor a General Motors ou Rockefeller; e a O.T.O. tem melhores intenções que qualquer destes dois em seu trabalho. Tornar-se membro da O.T.O. é tornar-se parte de uma força para o progresso do mundo.

Mas, e se o membro é pobre? Se ele não possui quaisquer bens materiais? Ainda assim a O.T.O. o ajudará. Há sempre casas desocupadas que o membro pode conservar para a Ordem sem pagar aluguel; há certeza de obter emprego, caso ele deseje, através de outros membros. Se o senhor tem casa de negócios, pode estar certo de que os membros da O.T.O. serão seus fregueses; se o senhor é medico ou advogado, membros da O.T.O. serão seus clientes. O senhor adoece? Seus irmãos se apressam para junto do seu leito a fim de perguntar de que é que o senhor precisa. O senhor sente falta de companhia? A Abadia da O.T.O. tem as portas abertas para si. O senhor requer um empréstimo? O Tesoureiro-Geral da O.T.O. tem permissão para lhe adiantar, sem quaisquer juros, o total de todas as suas jóias e mensalidades desde a data de sua entrada na Ordem. O senhor esta viajando? O senhor tem direito à hospitalidade de Mestre de uma Loja da O.T.O. durante três dias em qualquer parte do país. O senhor está preocupado com a educação de seus filhos? A O.T.O. os preparará para a batalha. O senhor está em desacordo com outro irmão? O Grande tribunal da O.T.O. arbitrará entre os senhores, sem pagamento. O senhor está à morte? O senhor tem direito de legar o total de suas contribuições ao tesouro da O.T.O. a quem o senhor queira. Serão órfãos seus filhos? Não, pois se o senhor assim desejar, seus filhos serão adotados pelo Mestre de sua Loja, ou pelo Grão-Mestre da O.T.O., ou até pelo Rei Santo mesmo.

Em suma, não existe circunstância da vida em que a O.T.O. não seja ao mesmo tempo a espada e escudo.

O senhor duvida? O senhor replica que isto só é possível através de divina caridade dos ricos para com os pobres, dos elevados para com os humildes, dos grandes para com os pequenos? O senhor tem mil vezes razão; o senhor compreendeu o segredo da O.T.O.

Que tais qualidades possam florescer numa comunidade extensa e complexa pode parecer difícil a um profundo estudante da humanidade como o senhor; no entanto, há exemplos abundantes de práticas desnaturadas e repugnantes ao ser humano que perduram séculos. Não necessitamos citar mais que o celibato forçado ou o sado-masoquismo religioso com exemplo.

"A fortiori", então deve ser possível treinar homens para que sejam independentes e tolerantes; para que tenha nobilidade de caráter e boas maneiras; e isto é feito na O.T.O. através de certos métodos muito eficazes que (pois eu não desejo correr o risco de entedia-lo) eu não descreverei. Demais a mais, eles são secretos. Mas além deles há o supremo incentivo: avanço na Ordem depende quase inteiramente de tais qualidades, e sem elas é impossível. Desde que poder é o maior desejo do homem, é apenas necessário que condicionemos de tal forma a posse de poder que o poder não será abusado.

Riqueza pessoal não tem a mínima influência na O.T.O. Acima de um certo grau, toda propriedade privada, com certas obvias exceções – objetos de uso diário, por exemplo – deve ser doada à Ordem. Propriedade pode ser usufruída de acordo com a dignidade de um adepto daquele grau; mas o membro não pode deixa-la ociosa, ou seqüestra-la do bem estar coletivo. Ele pode viajar de trem, por exemplo, em conforto e luxo como o dono da estrada de ferro; mas ele não pode prejudicar a comunidade colocando o seu vagão privado na encruzilhada de quatro linhas principais.

Mesmo eminência intelectual e habilidade executiva são, até certo ponto, secundárias na Ordem. Sempre se encontra trabalho para pessoas dotadas de tais qualidades, e elas alcançam alta consideração e renome como recompensa; mas não alcançam progresso nos gruas, a não ser que exibam talento para governar; e este é exibido muito mais por nobilidade de Caráter, firmeza e suavidade, tato e dignidade, probidade e boas mineiras; estas qualidades, em suma, que são em toda parte aceitas como naturais predicados da palavra cavalheiro. O conhecimento deste fato não só inspira confiança nos membros mais jovens, mas os induz a emular os mais velhos.

A fim de apreciar o funcionamento do sistema, é necessário visitar as nossas Abadias. (Espera-se que algumas serão brevemente estabelecidas neste país.) Umas são como castelos medievais; outras são simples cabanas; o mesmo espírito rege todas. É o espírito da perfeita hospitalidade. Cada um é livre de fazer o que ele quer; e o luxo desta liberdade é tal que ele toma cuidado em evitar perturbar o igual direito de outros. Porém desde que a autoridade do Abade é suprema, qualquer quebra da observância desta regra é corrigida com a devida energia. O caso não ocorre senão em circunstâncias excepcionais; pois o período de hospitalidade é estritamente limitado, e extensões dependem da boa-vontade do Abade. Naturalmente, desde que todos os tipos de temperamentos são igualmente necessários para tornar este mundo interessante, algumas Abadias são mais simpáticas para um tipo de membros, outras para outros. E aqueles de gostos semelhantes espontaneamente se congregam. No entanto, o bem-estar da Ordem e o estudo dos seus mistérios sendo a preocupação primária de todo membro, há inevitavelmente um ponto comum de interesse onde todos se reúnem.

Eu receio ter esgotado a sua paciência com esta carta, e assim lhe peço desculpas. Mas como o senhor sabe, onde há abundância de sentimento, a boca fala... o senhor tem toda razão em retrucar que não precisa falar tanto!

Eu não acrescento mais, senão a nossa alegre saudação a todos os homens.

Amor é a lei, amor sob vontade.

Eu sou, caro senhor,

Seu nos Laços da Ordem,

J. B. Mason

 

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