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PASSANDO DO VELHO AO NOVO AEON

 

Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei.

 

Como deveis saber, nós entramos em um Novo Aeon. Uma Verdade mais alta foi dada ao mundo. Esta verdade está à espera de todos que conscientemente a aceitam; mas tem que ser percebida antes que possa ser compreendida, e dia a dia aqueles que a aceitaram, e estão tentando vivê-la, aprendem mais e mais de sua Beleza e Perfeição.

O novo ensino parece estranho a princípio; e a mente é incapaz de abarcar mais que um pouquinho do que ele em verdade significa. Apenas quando estamos vivendo a Lei pode aquele pouquinho se expandir na infinita perspectiva do todo.

Eu gostaria de que partilhásseis comigo um pedacinho desta grande Verdade que se tornou clara pra mim nesta manhã de sol; eu gostaria de que viésseis comigo – se assim for vossa vontade – um pouquinho só além do Velho Aeon, e contemplásseis por um momento o Novo. Então, se o que vedes vos agrada, talvez fiqueis conosco; ou, talvez voltareis atrás por algum tempo; mas uma vez a estrada esteja aberta, e o Caminho visível, sempre podereis retornar, um instante, apenas reajustando vossa Visão Interna à Verdade.

Vós sabeis quão profundamente nós fomos sempre impressionados pelas idéias do Nascer e do Pôr do Sol; e como nossos irmãos de eras passadas, vendo o Sol desaparecer à noite e surgir novamente de manhã, basearam todas as suas idéias religiosas nesta concepção única de um Deus Morto e Ressuscitado. Esta era a idéia central da religião do Velho Aeon; mas nós a deixamos para trás, porque se bem que parecia estar baseada na natureza (e os símbolos da Natureza são sempre verdadeiros), nós já crescemos além dessa idéia, a qual, mesmo na Natureza, é apenas uma aparência. Desde a época quando esse Ritual de Sacrifício e Morte foi concebido e declarado, nós, através da observação de nossos cientistas, viemos saber que não é o Sol que se ergue e põe; mas a terra sobre a qual vivemos, regira de tal forma que sua sombra nos separa da luz solar durante aquilo que chamamos noite. O Sol não morre, como pensavam os antigos; Ele está sempre fulgindo, sempre irradiando Luz e Vida. Parai por um momento, e adquiri uma concepção clara deste Sol: como Ele está fulgindo de manhã cedo, fulgindo ao meio-dia, fulgindo à tarde, e fulgindo à meia-noite. Tendes esta idéia claramente formulada em vossa mente? Então passaste do Velho Aeon ao Novo.

Agora, consideremos o que ocorreu convosco. A fim de assumirdes esta concepção mental do Sol sempre-fulgente, que fizestes? Vós vos identificastes com o Sol. Vós saístes da consciência deste planeta, e por um instante vos considerastes como Entes Solares. Então, para que voltar atrás? Podeis ter retrocedido involuntariamente, porque a Luz era tão ofuscante que pareceu Escuridão. Mas avançai novamente, desta vez mais por completo, e consideremos juntos quais serão as mudanças em nossa concepção do Universo.

No momento em que nos identificamos com o Sol, nós percebemos que nos tornamos a fonte de Luz: que nós, também, estamos agora brilhando gloriosamente; mas ao mesmo tempo, percebemos que a Luz do Sol não mais é para nós; nós não podemos mais ver o Sol, tal como em nossa estreita consciência do velho aeon não podíamos ver a nós mesmos. Em volta nossa há Noite perpétua; mas esta é a Luz Estelar do Corpo de Nossa Senhora Nuit, na qual nós vivemos, e nos movemos, e temos nosso ser. Então, desta altura, nós contemplamos aquele pequeno planeta Terra, do qual nós, faz um momento, éramos parte; e Nos vemos emitindo Nossa Luz sobre todos esses pequenos indivíduos que chamáramos de irmãos e irmãs, os escravos que servem. Mas não paremos aí. Imaginai o Sol concentrando Seus raios por um momento sobre um minúsculo local: a Terra. O que acontece? A Terra se vaporiza, ela é consumida, desaparece. Mas em nossa Consciência Solar há Verdade, e através desta nós contemplamos por um momento a esferazinha que deixamos para trás. Ela não mais é; no entanto, existe "aquilo que resta". O que resta? O que aconteceu? De súbito, percebemos que "todo homem e toda mulher é uma estrela". Nós olhamos em nossa volta e contemplamos nossa herança mais ampla: nós vemos o Corpo de Nossa Senhora Nuit. Agora estamos em escuridão; estamos muito mais perto d’Ela. Aquilo que, visto do pequenino planeta, parecia apenas pontinhos de luz, agora esbraseia com outros grandes Sóis; e estes são em verdade nossos irmãos e irmãs, cuja essencial e Estelar natureza nós nunca antes percebêramos nem analisáramos. Estes são os "restos" daqueles que nós pensáramos que havíamos deixado para trás.

Há lugar para todos aqui; cada um viaja em Sua própria verdadeira Via; tudo é Alegria.

Agora, se desejais retroceder ao Velho Aeon, fazei-o. Mas tentai levar na memória que esses em volta vossa são na realidade Sóis e Estrelas; não pequenos escravos trêmulos. Se não quereis ser um Rei vós mesmos, entretanto admiti que eles têm direito à Realeza, mesmo como vós tendes este direito, quando quiserdes aceitá-lo. E no momento em que quiserdes aceitá-lo, tendes apenas que vos lembrar disto – Olhai as coisas do ponto de vista do Sol.

Amor é a lei, amor sob vontade.

 

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Liber DCCCXXXVII

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