Sociedade Ordo Templi Orientis no Brasil®




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SERVIÇOS DE INTELIGÊNCIA NÃO SÃO INTELIGENTES

ou

A O.T.O. DESDE A MORTE DE CROWLEY

 

PARTE III

5 de outubro de 74 e.v.

Caro Sr. Yorke:

 

Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei.

O seu endereço foi-me gentilmente fornecido pelo Sr. Eric Hill ...

Este indivíduo entrara em contato com Motta e, por um período, tornou-se seu probacionista. Ele foi eventualmente descartado, como Crowley diria, pelo simples expediente de tentar fazê-lo realizar meia hora de trabalho consistente de qualquer espécie.

..., quem eu presumo que você conheça pessoalmente, com a sugestão que se eu lhe escrevesse você poderia obter para mim, ou auxiliar-me na obtenção de certos documentos Telêmicos.

Eu não sei se você é a pessoa na Inglaterra que alguns anos atrás, de acordo com a Sra. Sascha Renee Germer, escreveu-lhe inquirindo quanto à minha posição como um Telemita. Na época, escreveu-me que dissera para a referida pessoa (cujo nome ela não foi suficientemente cortês para fornecer) que eu era um Telemita em "boa posição" e que eu possuía uma patente da O.T.O. dada pelo Sr. Germer.

Eu nunca recebi tal patente, nem nunca fora mencionada em qualquer carta do Sr. Germer que chegou às minhas mãos...

Vide Notícias da O.T.O. (N.E.: A serem publicadas oportunamente) respeito dessa famosa patente.

... Eu de maneira alguma confio na Sra. Germer, que sempre se mostrara uma inimiga astuta para comigo, com quem antipatizei à primeira vista. Eu a considero uma mulher talvez gentil e magnânima, mas também pomposa e mimosa. Além do mais, acho que sua aparência sempre fora essencialmente Judia, e nunca Telêmica. Eu não me importo em lhe dizer essas coisas, porque escrevi a ela dizendo-as mais de uma vez. Em certa ocasião a Sra. Germer disse ao seu marido que eu era um espião de alguma organização de inteligência ...

Isso deve ter feito Yorke sorrir infinitamente, uma vez que ele tinha trabalhado para, e ainda tinha conexões com a Inteligência Britânica, sem o conhecimento de Motta na época.

..., e ele em conseqüência suspeitou de mim durante anos. Ela acusou-me, pelo menos uma vez, de desviar correspondência dela para ele, uma coisa inteiramente alheia à minha natureza. Finalmente, nos últimos onze anos recebi exatamente quatro cartas dela...

Existira uma quinta, importante, que nunca chegara às suas mãos. Vide Notícias da O.T.O.

... e sua antipatia por mim — eu irei além, e direi seu ódio — está evidente em toda página.

Estou-lhe informando isso porque envio-lhe as seguintes fotocópias, numeradas:

1. A última carta que recebi do Sr. Germer antes de sua morte. Está na caligrafia da Sra. Germer, que eu presumo que você conheça. Ele estava muito fraco para escrever e ditou-a.

2. Uma carta que recebi da Sra. Germer imediatamente após a morte dele. Nela ela me informa que suas últimas palavras foram no sentido de que eu era o "Seguidor" profetizado em AL...

Absolutamente não; ele quis dizer a Sucessão da O.T.O.; mas não se poderia esperar que Motta estivesse certo disso durante duas décadas! Vide novamente Notícias da O.T.O.

..., e que ele queria que ela própria me dissesse isso. O que ela fez, no auge de sua aflição. Mas pesquisando o restante de sua carta você poderá perceber que reação estava começando a se manifestar.

3 e 4. Cartas que recebi da pessoa que estava com a Sra. Germer quando ela abriu o Testamento do Sr. Germer...

Esta era Phyllis Wade-Seckler-Macmurtry.

... Você verá, dessas cartas, que foi dito para esta pessoa, pela Sra. Germer, que eu era o "filho místico" do Sr. Germer.

5 e 6. Páginas de cartas da Sra. Germer pelas quais você poderá avaliar o progresso de sua antipatia e a antipatia de sua memória das últimas palavras de seu marido, e a intenção delas.

A questão acima é que, apesar de que a própria Sra. Germer preferiu me informar de uma patente da O.T.O. que nunca recebi (pode ter sido enviada; minha Caixa Postal é vigiada aqui, e tive repetidas provas disso através dos anos), e que nunca foi mencionada pelo próprio Sr. Germer; ela persistentemente recusou-se a copiar e me enviar quaisquer rituais ou qualquer material da O.T.O., acusando-me (sic) de querer fazer com que ela se tornasse minha serva.

Como resultado eu fui completamente cortado de qualquer material Telêmico durante anos, a não ser aquele que eu já tinha em minha posse. A única exceção quanto a isso foi há dois ou três anos atrás, quando o Sr. Kenneth Grant (do qual gostaria de sua opinião, se você preocupar-se em dá-la) foi gentil o bastante para emprestar algum de seu material. No entanto, acho que devo tê-lo assustado de algum modo (tendo a ser muito franco como você talvez tenha notado), e também fiquei cônscio de sua conexão com aquele imbecil, John Symonds, o que diminuiu consideravelmente meu apreço por ele, mas não o extinguiu inteiramente, uma vez que meu esforço para publicar Crowley em sua língua nativa merece a gratidão de todos os Telemitas.

É claro que Motta ignorava que Crowley estava se tornando um bestseller através de repetidas piratarias de seus escritos, e que não Grant, mas Symonds, estava efetuando as publicações — e auferindo o grosso do lucro delas.

Eu gostaria de saber se você poderia me fazer a gentileza de ajudar-me a obter cópias xerocadas ou de outra forma (a forma mais barata é a melhor), de todo o material da O.T.O. Eu tenho aqui um grupo de pessoas interessadas em levar a Ordem em frente, e elas necessitam disso.

Também, de minha parte, gostaria de obter o máximo possível de Crowleyana não publicada. Você poderá e ajudar-me nesse sentido? Por favor, me informe tão rapidamente quanto possa.

Amor é a lei, amor sob vontade.

Agradecendo-lhe de qualquer forma,

Marcelo Ramos Motta.

A essa carta Yorke respondeu rapidamente:

16 de Out. de 74 (sic)

Caro Sr. Motta:

Sua carta de 5 de Out. Estive em correspondência com Sascha Germer após a morte de Karl, mas nunca lhe escrevi a seu respeito pois não sabia de sua existência ...

Isso, apesar de que Motta não sabia na época, era uma mentira. Em sua correspondência com Motta, Yorke mentia constantemente como demonstrou posterior comparação de datas e nomes, mas somente uma vez ele foi imediatamente surpreendido numa mentira: quando ele afirmou que ajudara o Sr. Germer a imprimir Liber 333 Comentado na Inglaterra. Para infelicidade dele, Motta se correspondera, por instrução do Sr. Germer, com a pessoa que fez esse trabalho. Ao ser confrontado com esta mentira, Yorke alegou esquecimento como desculpa, devido a idade avançada.

Yorke foi ligado com a Inteligência Britânica por toda sua vida, e ainda estava trabalhando com ela — e, através dela, com a Inteligência Americana — numa tentativa de absorver a O.T.O. dentro da rede de guerra ideológica da direita política.

Ele naturalmente sabia da existência de Motta. O Sr. Germer enviara-lhe uma cópia da tradução inglesa do livro de Motta em português, "Chamando os Filhos do Sol", que Motta fez especialmente para o seu Superior. Esta tradução faz parte da lista bibliográfica da coleção de Yorke, agora no Instituto Warburg.

... Ela enviou-me uma fotocópia do testamento de Karl que está datado de 4 de Dez. de 51 (sic) e foi testemunhado por Mellinger e um nome que não consigo decifrar. É como segue ...

O texto que seguia é aquele já publicado na Parte Dois (LINK) deste relato. Esta foi a primeira vez que Motta viu um testamento do Sr. Germer, ou que lhe foi dito a data da escrita de um. Esse Testamento foi escrito dois anos antes de Motta ter contactado o Sr. Germer pela insistência de Parsifal Krumm-Heller. Yorke continuou:

... Isso deixa a sucessão da O.T.O. aberta, pois ele não nomeou seu sucessor na ordem (sic). O único com uma carta válida é Metzger, eu acho...

Uma vez que Metzger era o filho de um anterior chefe da Inteligência Suíça e como tal fora capaz de obter um dossiê de Schlag e enviá-lo ao Sr. Germer, ele quase certamente mantinha aparências políticas "seguras" e tinha laços amigáveis (para dizer o mínimo) com a Inteligência Suíça. Sua Sucessão à Chefia da O.T.O. seria um arranjo cômodo, fosse ela verdadeira.

Em seus comentários sobre a sucessão, Yorke estava sofismando, é claro. A afirmação de que o Sr. Germer não nomeara seu sucessor somente poderia referir-se ao texto do Testamento. Muito possivelmente Yorke nunca soube que o Sr. Germer nomeou Motta em seu leito de morte: a Sra. Germer não mencionaria este fato a ninguém, desde que então, recuperada do choque da morte de seu marido, ela decidira ignorar Motta por completo. Mas após obter uma cópia da carta da Sra. Germer a Motta afirmando que seu marido o nomeara o "Sucessor" (ou "Seguidor"), Yorke, fosse ele imparcial no assunto, teria no mínimo sentido o dever de investigar. Além de não investigar, ele tentou influenciar Motta a aceitar falsas reivindicações à liderança da O.T.O. Veja o que segue:

... Para material você deveria contactar uma loja, Campo ou Templo existente. Posso lhe dar três endereços:

Herr Metzger/ Abtei Thelema/ 9062 Stein A.R./ Switzerland.

Grady MacMurtry/ Box 2043/ Dublin/ Califórnia 94566.

Kenneth Grant, cujo endereço você sabe.

MacMurtry não possui carta exceto um documento intitulando-o ao IX°, Grant possuía uma carta para abrir um Campo para os três primeiros graus, mas promoveu-se ao X° e trabalhando com todos os IX graus, pelo que Germer o expulsou da Ordem. Ele ignorou a expulsão. Acredito que há três outras lojas espúrias nos Estados unidos, mas eu não sei de detalhes. Uma delas é alegada a ser o grupo que roubou todos os papéis de Germer, incluindo seus diários da O.T.O.

A maior parte da minha coleção de Crowley que contém algum material não publicado está depositada no Instituto Warburg em Woburn Square /Londres/ XC1HOAB. Fui tão importunado por pessoas querendo material de Crowley que depositei o material lá e passei a responsabilidade para eles.

Quanto a Kenneth Granth, compre seus dois livros, Aleister Crowley e o Deus Oculto, e O Renascimento Mágico, ambos publicados em Londres por Muller e forme sua própria opinião.

Muito obrigado por me enviar as fotocópias das cartas de Karl e Sascha a você as quais ajudam a documentar a posição do seu sucessor na O.T.O. Eu não conheço ninguém com uma melhor reivindicação do que Metzger na Suíça.

Sinceramente

Gerald Yorke

Esta carta, como era seu propósito, deixou Motta totalmente confuso. Ela continha afirmações contraditórias. Motta foi comandado a procurar "material da O.T.O." e conselho de um homem que fora expulso da O.T.O. pelo Sr. Germer, ou de um homem do qual fora afirmado ao mesmo tempo que não possuía carta, somente um documento intitulando-o ao IX° (o qual Motta também possuía!), ou de um homem com quem o Sr. Germer o proibira de entrar em contato, o qual o Sr. Germer afirmara que estava passando por uma fase de insanidade!

Embora Motta não soubesse disso na época, e não o saberia por uma década ainda, em 1963 e.v. o outro executor do Testamento do Sr. Germer, Frederic Mellinger, escreveu a seguinte carta para um advogado que a Sra. Germer contratou sem dizer nada (naturalmente!) para Motta:

 

25 de Set., 1963 (sic)

Sr. Gard Chisholm

Advogado

16 Court Street

Jackson, Calif., U.S.A.

Re: Espólio de Karl

Germer, falecido

Prezado Sr. Chisholm:

Recebi sua carta de 20 de setembro de 1963 (sic), com uma cópia de uma petição para o Tribunal de Sucessões de Testamento que a Sra. Germer pretende assinar e registrar. O Sr. solicitou minha crítica sobre a Petição e aqui está ela:

Pelas seguintes razões, devo objetar à declaração na petição: "O testamento foi executado em todos os detalhes."

1) Como o Sr. sabe, o Testamento declara (em relação à propriedade da Ordem Ordo Templi Orientis) "que esta deve passar para os Chefes da Ordem" e que "Frederic Mellinger aja como co-executor desta parte do Testamento".

2) A Sra. Germer decidiu — sem perguntar a minha opinião neste importante assunto relativo a "esta parte do Testamento", nem entrando em contato comigo de forma alguma — aceitar o estranho "Manifesto" do Sr. Metzger (impresso nesta primavera) como verdade evangélica e reconhecer o mesmo como o "Grão Mestre X° da Ordem e Soberano Grão Mestre Geral" (sic!) ...

Este "sic" exclamativo é de Mellinger e não nosso, e é devido provavelmente a sua revolta pela confusão desta acumulação de títulos. "Grão Mestre da Ordem" não é a mesma coisa que "Soberano Grão Mestre da Ordem", e se fosse, a repetição seria supérflua. A citação é do assim chamado "Manifesto" de Metzger, que ele também enviou a Motta e o qual Motta rasgou cerimonialmente e jogou numa lata de lixo, tal como relatado na Parte Dois desta história.

... Nem a Sra. Germer, nem o Sr. Metzger (o qual durante os últimos seis anos me presenteou com a remessa de seus panfletos, o que mostra que ele sabia bem o meu endereço) me notificou antes de 28 de março de 1963 (sic) a respeito da morte de Karl Germer (em 25 de outubro de 1.963 (sic) ...

É claro que isso foi um erro. O Sr. Germer morreu em 25 de outubro de 1962 e.v.. É sugestivo que após ter entrado em contato com Motta e concluído que ele não se sujeitaria à sua autoridade auto-assumida e hostilidade evidente, a Sra. Germer contactara Metzger, mas não seu companheiro testamenteiro. Nossos "sics" referem-se ao fato de que Mellinger, como Yorke e a Sra. Germer, não usam "e.v." (iniciais da expressão Latina era vulgari, "era vulgar") após datas que seguem a contagem convencional Cristista do suposto nascimento do seu fabricado "Jesus". De todo verdadeiro Telemita é esperado a assim fazer.

..., nem sua falsa "eleição" em 6 de janeiro de 1963 (sic). Minhas perguntas com respeito à autoridade de Metzger em assumir os títulos acima e o seu direito de editar uma "convocação dos Príncipes Patriarcas" para a aldeia de Stein, Suíça, para a "eleição" dele, nunca foram respondidas, quer pela Sra. Germer, quer pelo Sr. Metzger. Não consegui também qualquer explicação sobre a negociação realizada entre os dois, durante cinco meses antes deles entrarem em contato comigo. Eles desta forma violaram (e não "executaram", como declara a Petição) o Testamento do falecido.

Nunca em sua vida, Karl Germer havia conhecido o Sr. Metzger de forma alguma. Em 25 de junho de 1951 (sic), ele me escreveu a respeito de M. haver entrado em contato com ele por carta, me pediu que "orientasse aquele grupo" e deixou inteiramente a meu critério dar a Metzger alguma instrução que possivelmente conduzisse "aquele jovem" a algum progresso na Ordem.

É significativa a data em que o Sr. Germer pediu a Mellinger para aconselhar Metzger, em vista da data em que o testamento do Sr. Germer foi assinado. Obviamente, naquela época o Sr. Germer ordenou que a Sra. Germer e Mellinger deveriam decidir quem seria seu Sucessor, ele não tinha preferência no assunto; certamente não para Metzger, que ele não conhecia, e que — como Motta dois anos mais tarde — estava apenas começando.

O Sr. Metzger revelou à minha mente — sem intenção, naturalmente — de onde ele tirava coragem para reivindicar o elevado posto na Ordem através de um infantil "coup d'etat"; ou seja, pela impressão na folha de capa do seu falso "Manifesto", do seguinte lema (sic):

"Ser ou não ser, eis a questão."

e "Hier stehe inch, ich kann nicht anders", aquela brava afirmação de Martin Luther. — Dessa forma, ele indicou, sem querer, a única autoridade que ele tem para suas aspirações ditatoriais: o seu inflado ego. Mas a Sra. Germer ficou devidamente impressionada e subrepticiamente acenou com a sua anuência, ignorando o "sagrado" (como ela declarou) mas aparentemente desconfortável Testamento do seu falecido marido em relação ao meu papel de co-executor.

Atenciosamente

Dr. Frederic Mellinger

Uma carta muito inequívoca, que aparentemente colocou um fim nas tentativas da Sra. Germer de enviar os bens da O.T.O. a Metzger.

É duvidoso que a Sra. Germer estivesse muito impressionada por Metzger: Ela era muito perceptiva para isso. Mas ele enviara alguns de seus panfletos para Motta, e Motta lhe escrevera censurando-o e dizendo que se ele quisesse ser aceito como um Irmão e um sério candidato à liderança, que ele deveria usar o dinheiro que ele estava desperdiçando com tais coisas para ajudar a Sra. Germer a sustentar-se, uma vez que Motta não poderia. Sem dúvida que Metzger escreveu a ela e fez promessas. Suas promessas, no entanto, não foram cumpridas, considerando suas circunstâncias materiais, assim como descritas em sua última carta a Motta, publicada na Parte Dois deste relato. Tais circunstâncias foram depois confirmadas pela exultada descrição feita por James Wasserman das condições em que ela morreu, e do estado em que a casa dela estava quando ele o visitou. Vide Notícias da O.T.O.

Como foi dito, Motta não tomaria conhecimento desta carta por cerca de dez anos. Ele não podia compreender a afirmação de Yorke que "ele não sabia de ninguém com uma melhor reivindicação do que Metzger na Suíça." Com certeza Yorke teve acesso a informações que ele, Motta, não possuía.

Referimos novamente o leitor à carta da Sra. Germer a Motta que nunca chegou até ele, tendo sido roubada pela Inteligência do Exército Brasileiro para servir ao Vaticano e à C.I.A.

Ele sabia da necessidade de segredo na O.T.O., e ele sabia ainda que do C.E.O. é esperado permanecer desconhecido de profanos e mesmo de membros dos graus mais baixos da O.T.O.. Ele não sentiu que poderia propriamente perguntar a Yorke que bases ele tinha para pensar que Metzger tinha uma melhor reivindicação do que qualquer outra pessoa; ele estava inseguro de sua própria posição. No entanto, o que Yorke escreveu não foi o suficiente para que ele aceitasse qualquer uma das pessoas envolvidas como próprias para contato na O.T.O., com a possível exceção de McMurtry. No entanto, ele lembrou-se do que o Sr. Germer lhe disse sobre McMurtry; ele também lembrou-se de sua longa conversa com ele. Ele sentiu que McMurtry teria que ter mudado muito para que o Sr. Germer o nomeasse Sucessor.

McMurtry declarou no tribunal que ele "não se lembrava" de ter se encontrado com Motta e de ter conversado com ele. De qualquer forma, esta não foi a única vez que McMurtry cometeu perjúrio. Quanto à avaliação final do homem pelo Sr. Germer, os leitores são referidos à reprodução da última carta do Sr. Germer a McMurtry nesta parte das Notícias da O.T.O.

Ele trocou várias outras cartas com Yorke; este espaço não permite a inclusão de todas elas. As contradições foram crescentemente incômodas; também, a total falta de consideração de Yorke pela autoridade do Sr. Germer como Cabeça Externa, e sua insistência de que Joseph Metzger tinha uma melhor reivindicação àquele cargo do que qualquer outra pessoa. Yorke afirmou que Metzger possuía uma carta de Karl Germer que deixava claro que Metzger era o escolhido "Sucessor à Coroa".

Esta afirmação também estava na carta da Sra. Germer que Motta nunca recebeu. Vide Notícias da O.T.O.

Em 15 de março de 75 e.v. Motta recebeu em resposta à asserção de Yorke de que Metzger possuía uma carta de autoridade:

Caro Sr. Yorke:

Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei.

Grato por sua carta de 6 de Março. Parece que eu lhe dei a impressão de que eu estou tentando sugerir-lhe ou induzi-lo a algum curso de ação contrário à sua disposição. Sinto muito, eu não tive tal intenção, e meu propósito foi meramente declarar minha Vontade, e não armar uma cilada para a sua. Por outro lado, eu acho que você deveria fazer uma profunda análise de suas motivações.

Há vários erros em sua carta os quais peço sua permissão para apontar.

Primeiro, você diz que Metzger não está tentando impedir ninguém de reivindicar ou publicar qualquer coisa. Nisso você está enganado. Metzger tentou estabelecer sua reivindicação como um herdeiro em seu próprio país, e falhou, como bem devia. Seu silêncio é aquele de impotência, não aquele de magnanimidade ou nobreza ...

Essa informação Motta obtivera da pirataria de "Francis King" dos Rituais de Crowley para a O.T.O.; e desde que King obteve todos os seus fatos do próprio Yorke, este estava tão cônscio da falência de Metzger como o próprio Motta. Mas na época Motta não sabia que King obtivera sua informação de Yorke...

Segundo, ao citar a carta do Sr. Germer a mim e a carta da Sra. Germer para você, você implica que Metzger conseguiu representar a O.T.O. com sucesso enquanto que eu não. Devo lembrar-lhe que é algo difícil representar uma ordem maçônica quando não se tem posse de nenhum dos rituais e quando estes lhe são recusados por aqueles que afirma, ao mesmo tempo, que você tem um direito legítimo a eles.

Terceiro, você parece cultivar a impressão de que o X° O.T.O. é equivalente ao título de C.E.O.. O X° O.T.O. pode ser possuído por todos os Reis Nacionais, como observaria se você tivesse o cuidado de consultar o Equinox iii l, p. 202; e o Cabeça Externa da Ordem "pode ser escolhido mesmo do grau de um Minerva" — p. 244, terceiro parágrafo.

Quarto, você afirma que eu solicitei seu apoio pela minha reivindicação. Não tenho conhecimento de que eu tenha solicitado qualquer apoio seu formalmente, exceto livre acesso às informações disponíveis ao mais amargo dos inimigos de Télema, e a qual você se provou o mais relutante em conceder.

Quinto, você exagera a idade da Sra. Germer. Ela está agora na metade dos seus sessenta, desde que ela era certa de vinte anos mais nova do que o Sr. Germer e estava por volta da metade dos seus quarenta quando pela primeira vez eu a encontrei...

Isso estava incorreto. A Sra. Germer era de fato mais velha do que o seu marido e tinha por volta dos sessenta anos quando Motta a encontrou. Sua aparência jovial era uma dádiva mágica de seu marido, e com sua morte esta dádiva extinguiu-se vagarosamente e finalmente se foi. Mas Motta não saberia da verdadeira idade da Sra. Germer ainda por uma outra década. Sua afirmação incorreta a Yorke foi feita em boa fé.

Entretanto, mesmo se ela estivesse em seus oitenta, você titubeia ao sugerir que um ladrão seria "deixado em paz" meramente por respeito à sua idade, ou que desordem devesse ser permitida porque sua causa tornou-se fisicamente decrépita. Esta reação é meramente uma projeção de seu próprio desejo por paz. No entanto, Sr. Yorke, devo observar que paz é para o carneiro. Telemitas exigem algo mais da vida.

Devo apontar agora algumas inexatidões no seu próprio comportamento declarado nos anos que seguiram a morte do Sr. Germer. Você fala de uma carta dele a Metzger da qual a Sra. Germer lhe escreveu a respeito. Você seria sábio ao ponderar que se você realmente tivesse acreditado nas afirmações da Sra. Germer a favor de Metzger, você teria se comportado de uma forma diferente da qual você tem se comportado. Entre outras coisas, você teria doado sua biblioteca a ele como Cabeça Externa, e teria apoiado sua reivindicação publicamente, o que você não fez...

Nisto Motta estava atribuindo a Yorke uma nobreza de caráter que este não possuía. O ressentimento de Yorke pelo fato de Germer, e não ele, ter sido favorecido por Crowley (que formalmente rejeitou Yorke em favor do aluno Alemão, décadas antes!) era muito grande: isto pesou muito mais para ele do que seus laços com a Inteligência Britânica. Assim, fatores pessoais freqüentemente ditam o destino de uma nação, muito mais então o de pequenas ordens ocultas!

... A verdade, Sr. Yorke, é que é VOCÊ quem quer "paz e quietude" em sua própria idade. Lao-Tsé deixou a China em seus oitenta porque não podia suportar o modo que seu país estava sendo governado pelos seus reis, e foi viver na Mongólia selvagem. Aleister Crowley morreu em seus setenta lutando magicamente pela sua Palavra até o fim. O Sr. Germer também morreu lutando em seus setenta, e passou-me a Tocha com seu suspiro de morte. Mas você, que afirma ter sido amigo de ambos, esteve tentando renunciar sua responsabilidade moral e, se isto não fosse o suficiente, está agora tentando desencaminhar-me da minha. O seu comportamento não é nem o de um cavalheiro e nem o de um guerreiro.

Motta ainda não estava cônscio das manipulações das redes de "inteligência" para fazer da O.T.O. uma ferramenta desejável. O comportamento de Yorke certamente não era aquele de um cavalheiro; mas, ao seu modo, era aquele de um guerreiro — na fase de "Espreitar". Que a batalha foi causada em grande parte por ressentimento pessoal foi meramente um aspecto da falta de cavalheirismo do seu comportamento. "Espreitai" só é aceitável contra desigualdades formidáveis: não se poderia dizer que a pobre e insignificante O.T.O. estava ameaçando mesmo o que sobrara do uma vez poderoso Império Britânico!

A informação que fui capaz de obter de você foi na maneira de um dentista arrancando os dentes de um paciente relutante. Mesmo informações vitais de que o endereço de Nova Iorque no Testamento de Crowley era o endereço da residência do Sr. Germer foi somente enviada nesta sua última carta, em meio aos seus protestos de minha incapacidade e da ilegitimidade de minhas reivindicações e do seu conselho final de que eu funde minha própria O.T.O. e uma "Igreja de Télema" ou sabe-se lá o que mais. Muito obrigado. Eu não tenho a intenção de fundar igrejas, e quanto a O.T.O.'s, estou perfeitamente convencido de que eu represento o movimento legítimo iniciado por BAPHOMET XI°. Não tenho nem o desejo e nem a necessidade de fundar outra.

Se você tem uma xerox da alegada carta do Sr. Germer a Metzger, eu apreciaria um xerox do seu xerox, de modo que eu possa ver com os meus próprios olhos o ue foi escrito e quando. Mas eu duvido que você a possua. Você quis tanto sua paz e quietude que você se determinou a agarrar-se à ninharia de meias verdades; e quando eu perturbo o casulo dentro do qual você se imaginou, você fica naturalmente aborrecido. Deixe disso, meu amigo. Os carneiros sempre herdarão a terra — exatamente sete pés dela...

Se forem enterrados. Mas Motta ainda não compreendia a situação. Yorke não estava tecendo um casulo, mas uma teia, e era um lobo na pele de um carneiro.

Não fique perturbado se você contribuiu, ou se pudesse ter contribuído, ao meu ataque à Sra. Germer. Eu tenho aqui toda a documentação que necessito para provar sua incapacidade, e o que eu não tenho é agora matéria de história. Sua idade não é uma desculpa, mas seu agravo. Não há nada tão desprezível como o idoso limitando a liberdade e auto-expressão do jovem, puramente por malícia pessoal, e os poderes da Sra. Germer como testamenteira são exatamente os mesmos como os de Symonds foram. Ela não tem estatura espiritual para julgar mérito, e nunca terá, pelo menos não nessa vida. Ela, e Regardie, e Grant — e aparentemente você — estão todos na mesma classe.

Mas o seu Inconsciente o aborrece, não é Sr. Yorke? E quando minha voz o ecoa você se aborrece comigo. Quem se aborrece com um Magister Templi, senhor, meramente se aborrece consigo mesmo. Como você bem deveria.

Amor é a lei, amor sob vontade.

Parzival XI°

Motta não sabia o que Yorke sabia perfeitamente bem: que a Sra. Germer estava vagarosamente passando fome até morrer na Califórnia, na porta, por assim dizer, dos McMurtries e de Helen Parsons-Smith, abandonada por Metzger e por Yorke. Ela morreu um mês e meio depois que Motta escreveu esta carta.

Naturalmente, Yorke não respondeu, e não forneceu qualquer cópia de qualquer carta do Sr. Germer a Metzger. Se tal carta existisse, Metzger seria capaz de estabelecer seus direitos na Suíça, um país onde, reputadamente, o processo judicial normal não sofre pressões políticas e econômicas do tipo que pode produzir extravios de justiça nos Estados Unidos da América.

Enquanto Motta estava tentando juntar dinheiro para ir àquela terra de oportunidade e liberdade para processar a pobre Sra. Germer pela posse da Biblioteca Telêmica, os "abutres" que Phyllis McMurtry uma vez (ironicamente o bastante) nomeara estavam juntando — Phyllis no comando. Yorke deve ter sido informado da morte da Sra. Germer quase imediatamente. Arranjos foram feitos para dispor de suas posses. Em 13 de agosto um certo Adolph B. Gualdoni, administrador público do município de Calaveras, Califórnia, foi apontado executor de sua propriedade. Os McMurtries trabalharam intimamente com esse indivíduo. A casa da Sra. Germer foi vendida para pagar impostos atrasados — para um parente próximo do Sr. Gualdoni ...

Motta nunca foi capaz de averiguar a soma exata desta venda, ou de saber o quanto a Sra. Germer realmente devia em impostos atrasados. Nem qualquer outra pessoa achou conveniente investigar. Aparentemente, esse é um daqueles muitos "segredos" alegados a afetar a segurança nacional dos Estados "Unidos".

Em 15 de janeiro de 1976 e.v., Equinox Vl, os "Os Comentários de AL", foi publicado por Samuel Weiser, Inc..

Donald Weiser e seu "bom amigo" Oskar Schlag já estavam preocupados com Motta, que em 23 de janeiro de 1975 e.v. informara James Wasserman, seu editor e "discípulo" para Weiser, que ele pretendia defender seus direitos legais aos copirraites da O.T.O. de propriedade da O.T.O.. Desde que Weiser, sem que Motta soubesse, já estavam negociando uma nova pirataria das cartas do Tarô com Grady McMurtry e a gang da Califórnia, era necessário descobrir quantos problemas Motta poderia causar. Ter McMurtry & Co. reconhecidos publicamente como representantes legítimos da O.T.O. por Weiser era uma coisa: ele poderia manejá-los enquanto que suas posições eram instáveis. Fossem eles reconhecidos como representantes da O.T.O. por alguma outra pessoa que pudesse reivindicar legitimamente a representar a O.T.O., para dizer o mínimo, elevaria o preço deles ... Assim:

Em 19 de abril Phyllis McMurtry escreveu a Motta, perguntando-lhe se a Sra. Germer estava viva e se ela deixara a Biblioteca de Crowley-Germer para ele!

Motta ainda não era paranóico para com todos naqueles dias, mas a Sra. Germer o avisou a respeito de Phyllis em termos muito fortes. Ele respondeu com assumida inocência perguntando a Phyllis, uma vez que ela estava escrevendo-lhe sob o Selo da O.T.O., se ela tinha uma patente para assim proceder. Em 28 de abril Phyllis escreveu novamente dizendo-lhe que a Sra. Germer estava morta. Ela também arrogantemente acusou Motta de ousar interferir com sua "verdadeira vontade" perguntando se ela tinha o direito de usar o Selo da O.T.O.. Mota respondeu em 11 de maio:

Cara Phyllis:

Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei.

Grato por sua carta do dia 28. Eu pedi a James Wasserman para lhe enviar uma xerox de minha carta a Helen, e vice-versa, de modo que eu não preciso repetir-lhe o que eu disse a ela.

Permita-me que lhes informe o que está sendo feito aqui ...

"Aqui" queria dizer Brasil.

Eu comecei a trabalhar com a O.T.O. seriamente somente ao perceber a confusão na qual vocês permitiram que a O.T.O. se tornasse. Você menciona a sua "verdadeira vontade". Eu não dou a mínima para a sua "verdadeira vontade". Se você me escreve sob o Selo da O.T.O., você tem obrigação para com a Ordem de defender sua integridade contra usurpadores, ladrões, e assim por diante, e de defender sua Hierarquia a todo custo. Ou você considera isto como uma parte integral e vital da sua Verdadeira Vontade, ou não me escreva sob o selo da O.T.O.!

Eu trabalhei com um aluno durante sete anos e, como eu já informei todo mundo no Segundo Manifesto, ele falhou na Ordália do Zelador ao mostrar que ele se importava mais com o seu ego do que com a A\ A\ — ou a O.T.O., naquele caso. Eu suspeito que seu caso é muito similar ao de Grant. No entanto, eu encontrei um grupo de pessoas que parece muito mais estável, e nós REGISTRAMOS A O.T.O. LEGALMENTE NO BRASIL. Estamos agora no processo de REGISTRAR O SELO DA O.T.O. LEGALMENTE NO BRASIL.

Eu creio que isso nunca foi feito nos E.U.A., e acho que você, McMurtry e Helen deveriam juntar-se a fazê-lo de uma vez.

Desde que os Rituais foram publicados (pirataria, pelo jeito, e se vocês estabelecerem seus direitos eu espero que vocês processem todos os envolvidos), eu estou reformulando os Rituais. Por enquanto, eu reformulei somente o I°, porque as pessoas com as quais estou trabalhando ainda não estão qualificadas para passar ao II°. Eu tenho, como você sabe, tanto a capacidade quanto a autoridade para fazer isto. Eu não estou de qualquer forma tentando implicar que vocês deveriam seguir meu novo ritual (ou rituais, no futuro) e reformularem-se. Estou fazendo o que penso ser necessário que se faça aqui no meu país. Eu eventualmente enviarei a você e a Helen uma tradução dos rituais, ou melhor ainda, eu os levarei para vocês pessoalmente, para que você saiba como sou. Estes rituais serão REGISTRADOS COMO OBRAS DRAMÁTICAS no equivalente da Biblioteca do Congresso aqui. O primeiro já foi.

Minhas patentes também estão sendo reformuladas. Elas seguirão a LEI DE CONTRATO neste país, sendo assinadas por ambas as partes — a pessoa sendo iniciada, e o Cabeça de sua Loja. O Cabeça, por sua vez, ficará obrigado para comigo pela patente dele ou dela, a qual também está sob a forma de um contrato, porém mais severo do que a mera patente do irmão ou irmã. À medida que se sobe nos Graus, as patentes tornar-se-ão mais detalhadas e mais exigentes. Eu quoto AL iii 41 para você.

Eu não reivindico e NUNCA REIVINDICAREI ser o Rei Brasileiro da O.T.O. Quando houver um número suficiente de Lojas em funcionamento, elas poderão juntar-se e eleger o seu próprio Rei. Então, talvez, eu poderei lidar com o meu próprio progresso e meus próprios negócios pessoais. Se por acaso vocês Cabeças de Lojas em outros países recobrarem seus sensos, começarem a trabalhar harmonicamente juntos, e pudermos eleger um Cabeça Externa da Ordem por voto unânime antes que o Brasil esteja pronto para eleger um Rei para o cargo, então o próprio C.E.O. pode nomear o Rei, pelo poder dado pela Constituição. NÃO SERÁ EU, NEM SEREI EU CABEÇA EXTERNA. Eu quero deixar isso muito claro! O XI° impede qualquer possibilidade de aceitar um Grau na estrutura normal da Ordem.

É claro que o XI° não faz nada disso; mas ele estava "balançando a cenoura em frente do burro", como afirmou no tribunal no Maine anos atrás. Desde que todos queriam ser Cabeça Externa, talvez ao deixar o trono vago em aparência eles fossem estimulados a trabalhar para a Ordem, ao invés de para si próprios. Ele ainda era muito inexperiente! Obviamente — como ele agora concretiza com amargura — pessoas que "trabalhassem para a Ordem" somente através do estímulo de um cargo supremo vazio, absolutamente não estariam trabalhando para a Ordem, mas no interesse dos seus apetites pessoais pelo poder.

Eu sugiro que vocês sigam meu exemplo nos E.U.A., até onde estão envolvidos patentes e registros legais...

Anos mais tarde, no Maine, o advogado de Weiser lhe perguntaria: "Sr. Motta, não é verdade que você disse a McMurtry, à Sra. McMurtry, e à Sra. Helen Parsons-Smith para defenderem seus direitos em seu país?"

"Claro," Motta respondeu. "Mas eu não sabia na época que o conceito deles dos seus direitos na O.T.O. não incluiriam os meus."

... Consulte um advogado, ou melhor ainda, leia um bom livro sobre a lei Americana de contrato, e trabalhem tornando impossível que novos Grants e Metzgers exaltem os seus eguinhos feios acima de si mesmos.

Isso deve ter ferido profundamente, não fosse Phyllis Seckler menos pele grossa sob sua máscara de doce velhinha senhorita! O que segue é patético:

Eu peço a vocês para trabalharem com Wasserman e confiarem nele como se confiassem em mim. Weiser não está livre de querer passar por cima dos outros, isto é muito comum no mundo dos negócios, mas no geral ele sempre provou ser (e seu pai antes dele) um homem de negócios razoavelmente honesto. Ele está participando de piratarias, mas eu estou certo de que no momento em que vocês estabelecerem os seus direitos legalmente ele cessará de assim proceder. Quaisquer abusos que ocorreram são devido à falta de confiança em si mesmos e para com cada um.

Amor é a lei, amor sob vontade.

Fraternalmente,

Marcelo

P.S. Por favor deixe-me saber a respeito do roubo de 1967 (sic).

Na mesma data em que Motta escreveu esta carta ele escreveu para Helen Parsons Smith, dizendo-lhe que seria dada para Wasserman uma procuração para representar sua reivindicação pela Biblioteca Crowley-Germer em West Point, Califórnia. Ainda na mesma data, ele foi ao Consulado dos Estados Unidos da América no Rio de Janeiro e preparou uma procuração geral para Wasserman.

Sem informar Motta, e de posse de sua carta aconselhando-os a assim procederem, aquelas três pessoas imediatamente começaram a tomar passos para registrar a corporação. Eles, Weiser e a rede de "inteligência" Americana por trás deles tiveram uma preocupação, no entanto, uma que pressionava: O proposto "Novo Manifesto" de Motta mencionava Helen e Grady como representante bona fide da O.T.O.; mas não usava o termo "Califa" em relação a Grady, ou reconhecia nele quaisquer poderes além ou acima dos de Helen; e de maneira alguma mencionava Phyllis. Desde que o propósito deles era criar uma ferramenta de "inteligência" Americana às custas de uma organização religiosa, foi necessário fazer com que Motta concedesse a Grady mais autoridade ou fazer com que Motta caísse completamente em descrédito.

O leitor está lembrado de que Weiser e McMurtry já estavam negociando uma pirataria que eventualmente colocaria duzentos mil dólares nos bolsos de Weiser; e Wasserman, em que Motta tão inocentemente confiou, era o coordenador de todo esse esforço.

Pressão deveria ser aplicada sobre Motta. E sendo assim, Phyllis escreveu-lhe em 26 de maio uma carta à qual ele respondeu em 2 de junho:

Cara Phyllis:

Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei.

Grato por sua carta de 26 de maio. Você parece estar sob a impressão de que 1) Eu quero dar-lhe ordens; 2) Que eu preciso de sua ajuda em minha obra; 3) Que eu tenho algum motivo para escrever-lhe além daquele que se refere ao bem da O.T.O.. Eu tomarei o tempo e a energia de coisas mais importantes e tentarei agradar-lhe nesses três pontos com toda a paciência e polidez das quais for capaz.

Primeiro: Quando eu lhe escrevo: "ou você sente uma obrigação perante a O.T.O., ou não me escreva sob o selo da O.T.O.", eu não estou dizendo que você, como um ser humano, talvez uma estrela (eu digo talvez porque há muitos bípedes andando eretos por aí, os quais de maneira alguma são humanos), não possa imprimir no seu cabeçalho qualquer símbolo que queira. É claro que você pode. O que estava tentando expressar era que, do ponto de vista do verdadeiro Iniciado da O.T.O., quem quer que escreva sob o Selo da O.T.O. sem sentir uma obrigação de defender o Selo e tudo o que ele representa ao custo de sua própria vida, posses, ou sentimentos pessoais se preciso for, NÃO é um verdadeiro Irmão ou Irmã da O.T.O. É claro que qualquer um pode escrever sob o Selo da O.T.O. Grant escreve. Metzger escreve. Você escreve. No entanto, prove-me que você tem qualquer coisa no coração além de seus interesses pessoais quando você me escreve sob o selo da O.T.O. — ou não espere que eu a leve a sério. Não é o bastante usar uma Coroa para ser um Rei, ou dizer que você é uma estrela para ser tratada como uma por aqueles QUE SÃO. Você tem que "pôr seu dinheiro onde sua palavra está", como diz o ditado. Escreva sob qualquer ornamento que queira, mas se você pretende ser respeitada, prove-se digna de respeito. A impressão física do Selo, em si, nada significa: Qualquer ladrão pode copiá-lo e reproduzi-lo. Dedicação, lealdade, zelo — estes significam muito. E eu nunca a encontrei transbordando com dedicação ou zelo (os quais, pelo jeito, é a característica do Zelador da A\ A\ ), desde quando a conheci. Então, repito, eu não estou tentando lhe dar ordens. Estou simplesmente lhe dizendo, se você quiser ser tratada como uma igual, suba a meu nível; não espere que eu me rebaixe ao nível da hipocrisia mundana. Não pelo menos quando estou falando com alguém que proclama ser membro tanto da A\ A\ quanto da O.T.O.

Você diz e eu cito: "Por favor não mencione meu nome em qualquer de seus manifestos. Eu prefiro fazer meu trabalho sem barulho. Publicidade, de qualquer modo, é somente um jogo do ego, e não a quero."

Pareço sentir nisso uma crítica velada de mim, Crowley, e muitas pessoas ilustres através das épocas (não que eu esteja implicando que eu exijo a companhia delas). Talvez você ache que quando Charles Darwin publicou A Origem das Espécies ele estivesse numa viagem egocêntrica. Claro que, em um sentido, ele estava: mas existem alguns egos nos quais egos menores — entre os quais muito certamente incluiria o seu, pelo que sabemos — poderiam achar que valeria a pena que eles mesmos fizessem uma viagem. Uma vez — há tempos atrás — escrevi ao Sr. Germer uma carta que parecia muito com a sua, sobre a questão de se eu ser uma estrela, tal como ele e Crowley ou qualquer outra pessoa, e ele respondeu: "Claro que você é. Mas há uma Hierarquia. Fique sabendo disto." Eu soube disto dez anos após sua morte, e cheguei a estas palavras de Liber LXI, que poderiam ser úteis para você ponderar: "... há muitos que se acham Mestres que nem mesmo começaram a trilhar o Caminho de Serviço que leva até a Mestria."

Se há algo neste mundo que não me interessa nem um pouco, é seu ego, Phyllis. Quando publiquei os nomes de Helen e Grady, eu não estava tentando lisonjeá-los...

Nessa época a edição de Weiser do Equinox V 2 ainda estava em preparação; mas Motta publicou nos nomes de Helen Parsons-Smith e de Grady McMurtry em sua tradução portuguesa de O Equinócio dos Deuses como legítimos cabeças de lojas da O.T.O. nos Estados Unidos da América. Isso ele fez na ilusão de que eles tinham cartas, uma vez que eles alegavam trabalhar para a O.T.O.. No entanto, como suas corteses solicitações de comprovação somente recebiam esse tipo de resposta, ele começou a suspeitar de que Wasserman o desinformara sobre o assunto.

... Eu os estava forçando a dar um passo à linha de fogo. Como os Grants e Metzgers e vários outros à solta, alegando vociferantemente representar TÉLEMA, há muitas pessoas de aspiração bem intencionada que foram enganadas por tais, enquanto você, por exemplo, permaneceu em seu nobre desapego — se assim é como você deseja chamá-lo. Você reivindica os graus, Phyllis, mas você não está querendo pagar pelo preço deles. Pergunte à sua própria consciência que tipo de pessoa está propensa a se comportar desse modo.

Helen está incomodada comigo porque, segundo ela, os nomes de mulheres membros da O.T.O. não devem ser publicados. Esta regra começou com a O.T.O. original, aquele preconceito do chauvinismo masculino Teutônico que mais tarde floresceu como Nazismo. Crowley manteve — e sucesso foi sua prova. Eu lhe digo que mulheres podem não somente ser Cabeças de Lojas, como também aceitaria uma mulher como Cabeça Externa da Ordem. Uma mulher é igual a um homem em TÉLEMA — "Que a mulher seja cingida com uma espada diante de me". Uma mulher pode alcançar qualquer Grau, até Ipsissimus e além, e a única razão pela qual ela não pode funcionar como um Magus é que se deve estar ocupando um corpo masculino quando se realiza as funções de um Magus.

Helen, como você, não quer o nome dela publicado, mas SERÁ publicado. A única escolha de vocês é se preferem que sejam publicados reconhecendo-as como servidoras da Estrela & da Cobra — com ênfase na palavra servidoras — ou se os preferem publicados como servidoras de seus próprios egos.

Se o Sr. Germer tivesse sido mais do que um sonhador, os direitos autorais não estariam na bagunça em que estão agora.

No entanto, você está levemente enganada quanto aos seus motivos. Você escreve, e eu cito: "Sascha não aceitaria ajuda de ninguém e brigou com todos através dos anos, isolando assim Karl daqueles que poderiam ter sido de ajuda a ele." Você erra. O Sr. Germer era perfeitamente capaz de escolher sua própria companhia, como posso testemunhar, pois Sascha odiou-me durante anos, e caluniou-me durante anos a ele, somente para ele pedir a ela com seu último suspiro para me dizer que eu era o "Sucessor" (ou Seguidor) — o que, bastante espantosamente, ela fez. Ele se isolou de todos vocês porque nenhum de vocês podia percebê-lo pelo que ele era: Cabeça de Télema, Adepto Chefe, Capitão sobre a Terra de todos nós. Nenhum de vocês queria obedecê-lo; se você não me acredita, vamos fazer uma lista:

YORKE: Odiava e ressentia o fato de que Crowley deixou seus copirraites e a liderança a Germer. Cumpriu à letra os seus deveres durante anos, tomando sempre o maior cuidado para evitar o espírito deles.

SMITH: Odiava e ressentia o fato, etc., etc. Não cooperou com Karl, de fato tentou colocar-se magicamente contra ele, e o reconheceu somente no fim, quando ele já estava morrendo, e muito tarde para ser de qualquer serviço a nós.

GRADY: Totalmente obcecado com sua ridícula idéia de Califado, sonhando com uma dinastia mágica pessoal, ressentindo o fato de que suas patentes para esse propósito foram cuidadosamente sujeitas por Crowley à confirmação de Germer, a qual sempre foi retida; apegando-se desesperadamente ao finado Crowley, antes do que servir ao Germer vivo, desse modo desobedecendo inimaginavelmente o homem ao qual ele pensava estar sendo leal, quando na realidade estava meramente agarrando-se a supostas promessas feitas a si mesmo. Você estava presente, eu acho, quando falei a Grady. No final de tudo que lhe disse, ele respondeu que ele servia Crowley e não me serviria. Eu tive que rir: eu estava falando a ele em nome do Sr. Germer, pois como você sabe o Sr. Germer não era muito articulado. Você sabe melhor do que eu o que resultou disso. O Sr. Germer nunca rejeitou Grady, mas tenho uma carta dele lamentando: "tantas qualidades boas desperdiçadas num egocêntrico!" Estou parafraseando, claro. Se você quiser checar a carta original, ou Grady, posso lhe enviar uma cópia ...

Na época, Motta não tinha o menor conhecimento da última carta do Sr. Germer a McMurtry, reproduzida nas Notícias da O.T.O.. Também, embora não soubesse disso, em escrevendo dessa maneira, Motta estava reforçando-os a opô-lo e tentar despojá-lo completamente; uma vez que especialmente a única alegação deles a uma carta patente era a condicional que Crowley forneceu a McMurtry de que deveria ser aprovada pelo Sr. Germer. Yorke, McMurtry, Grant, Metzger: o propósito dessas pessoas era desmoralizar Karl Johannes Germer e assim destruir a coesão da O.T.O.; e então juntar os pedaços mais facilmente a favor de interesses políticos e financeiros corruptos e corruptores.

METZGER: Você deveria ver algumas das cartas que o Sr. Germer escreveu sobre Metzger. Uma delas diz, e aqui cito literalmente: "Que povinho! Aprenda com eles." Tenho tentado, com muita dificuldade, aprender com eles.

De você e Helen ele nunca me falou exceto com gentileza e verdadeira afeição, mas você sabe que porco chauvinista ele era: uma mulher era uma mulher, não importa o quanto boa ou leal. De fato, ele avaliava as mulheres nestes dois pontos: lealdade a um homem e humildade de caráter. Creio que ele achava que a mulher ideal, assim como as crianças inglesas do velho ditado, deveriam ser vistas (e ocasionalmente tocadas, naturalmente) mas não ouvidas!...

Em sua visão de qualidades, Sascha era altamente considerada em lealdade — mas quanto a caráter!...

Não preciso encontrá-la pessoalmente para que me fale a respeito da Sra. Germer. Eu lhe falei a seu respeito, numa carta da qual tenho uma cópia aqui, e tenho sua resposta em meus arquivos, defendendo-a quase calorosamente, e me censurando por lhe pedir para "espiá-la". Então você mudou, e não deixou endereço. Agora você entra em contato comigo novamente, e vejo que você mudou muito pouco, se é que mudou. Aproveitarei esta oportunidade para lhe enviar a última carta que lhe escrevi, e que foi retornada pelo correio local, afirmando que você não mais morava naquele endereço, e que não deixara outro endereço.

Nesta carta, Motta reiterava a Phyllis Seckler o fato de que ela não atingira Adeptus Minor, e que era apenas uma Neófita.

Sobre o assunto da ladroeira em Quartéis-Generais, seu conselho para que eu leia um livro chamado A Família é um pouco ingênuo. Você parece achar que eu moro nos Estados Unidos, e que livros americanos me estão facilmente disponíveis. Tenho ouvido falar do livro mencionado, mas para que o obtivesse, eu teria que encomendá-lo pelo correio, e pelas descrições dele, não é o tipo de livro com o qual me preocuparia em gastar dinheiro: tenho pouco dinheiro para gastar em livros, e tento evitar comprar porcaria. No entanto, tenho aqui uma carta da Sra. Germer que relata, com alguns detalhes, o roubo, e estou lhe enviando uma xerox dela...

O recebimento desta cópia de carta deve ter sido um violento choque para Phyllis: até então, ela trabalhara sob a impressão de que Motta não fora informado do relato da Sra. Germer que os ladrões foram instruídos pelo seu filho e comandados por uma de suas filhas, ou da firme convicção da Sra. Germer de que a mãe estava envolvia nisto.

É possível que Phyllis (então) Wade não soubesse antes se sua filha e seu filho tomaram parte num atentado para roubar a Sra. Germer; mas é dificilmente possível que ela não soubesse disso depois. A evidência indica que ela fez o melhor para esconder seus filhos e si mesma desde então. Mesmo seu abrupto casamento com McMurtry depois, foi um passo em direção à segurança contra denúncia em juízo, uma vez que McMurtry trabalhava para o governo americano. No processo da Califórnia a filha acusada "não estava disponível" para testemunhar, e a outra filha de Phyllis recusou-se a testemunhar. O filho de Phyllis, que então tinha mudado misteriosamente seu nome, testemunhou e negou qualquer participação no roubo ou qualquer conhecimento de onde os bens roubados poderiam ter ido parar. Ambos Wasserman e Weiser já tinham testemunhado sob juramento que eles não trocaram correspondências com o Sr. ou a Sra. Germer sobre os copirraites da O.T.O. (vide a Parte II deste ensaio); e McMurtry chegou ao ponto de negar no tribunal que ele se lembrava de ter se encontrado com Motta pessoalmente, ou de ter conversado com ele... A soma de perjúrios naqueles processos excedia mesmo o número médio de mentiras em qualquer discurso de quinze minutos de Ronald Reagan.

... se você quiser comentar sobre a carta privadamente, para mim, eu acolheria seus comentários...

Motta ainda não percebera o nível de decadência da mente à qual estava se endereçando.

As conseqüências de falência numa ordália iniciática são comentadas na seção pertinente das Notícias da O.T.O.

Ele tencionava dar a ela uma chance para se defender a si e a seus filhos das acusações na carta, com absoluta certeza de que a carta não se faria pública; ela interpretou suas palavras como uma ameaça caso ela não se submetesse aos seus desejos (o que quer que ela possa ter "pensado" que estes seriam!) ele tornaria a carta de conhecimento público. Em outras palavras, ela pensou em chantagem; mas, como veremos com a continuação desta espalhafatosa estória, ela achou ser chantagem por que chantagem estava em sua mente. Ela, McMurtry e Helen Parsons-Smith já haviam decidido tomar posse da Biblioteca Telêmica com a cumplicidade de Wasserman e Weiser, e então reter a sua posse como uma arma para compelir Motta a reconhecê-los como possuidores de legítima autoridade na O.T.O.

... Concomitantemente, gostaria de perguntar-lhe como Grady chegou a possuir os clichês das cartas de Tarô, e se os lucros — poucos, sem dúvida — de sua edição foram divididos com outros cabeças de loja nos Estados Unidos ou em algum outro lugar. Ou talvez você ache que isso não é nada da minha conta. Você pode, no entanto, considerar da sua conta saber que Weiser está planejando lançar uma edição pessoal das cartas do Tarô...

De acordo com o que lhe foi dito; é verdadeiramente irônico que ele assim "informasse" a esposa do homem que estava naquele exato instante planejando com Weiser e Wasserman os detalhes de sua pretendida pirataria.

... Se Grady conseguiu os clichês de um modo indigno para a O.T.O., e não dividiu os royalties com Helen por exemplo, eu diria que ele — e alguém mais — deu um brilhante exemplo daquele tipo de "direito" para usar o Selo da O.T.O. a respeito do qual eu falei no início desta carta; um exemplo do qual Weiser pode se sentir totalmente justificado de seguir, você não acha?

Você ainda quer saber por que o Sr. Germer anteve-se bem à parte de todos vocês? Se Grady, Metzger, Yorke, Regardie, e talvez você, tivessem quaisquer razões para se queixarem do afastamento de Karl, eles não colocariam suas queixas à porta da casa de Sascha Germer. Eles deveriam se ver muito bem em algum tipo de espelho mais claro que a auto-imagem deles. Eu escrevi a você uma vez dizendo que aqueles que temem o mal criam o mal. E você sabe o que o Livro da Lei diz a respeito dos soldados profissionais que não ousam lutar.

Amor é a lei, amor sob vontade.

Fraternalmente, até evidência em contrário.

Marcelo

Esta carta, ao ser recebida, rapidamente produziu resultados. Phyllis escreveu para Samuel Weiser, Inc. afirmando que Motta "não era um cavalheiro", e recusando que seu nome aparecesse sob qualquer forma em seu proposto Manifesto...

Na edição do Equinox V 2 na época em preparação. Ela temeu, naturalmente, que ele imprimisse as acusações da Sra. Germer, uma vez que ela já sabia que seu nome não foi mencionado como uma legítima cabeça de loja da O.T.O.

... Helen Parsons-Smith também escreveu para Weiser, ameaçando processar se seu nome aparecesse...

No tribunal da Califórnia, Helen Parsons-Smith afirmou que seu maior motivo de indignação para com Motta foi devido ao fato de que ele havia endereçado a ela como Srta. Helen Parsons-Smith, ao invés de Sra.!!! O comentário particular de Motta a seu advogado: "Se Helen quer ser uma pessoa sem caráter moral, deixe-a ser."

... e Wasserman, tendo enviado a Motta cópias destas cartas, prontamente sumiu sem deixar vestígios na vastidão da Califórnia, apesar de que Motta lhe dissera expressamente no telefone, ao informá-lo de que lhe fora enviado uma procuração total (Wasserman mal podia acreditar em sua sorte e em seus ouvidos!), para se manter em permanente contato com seu superior. Cartas e telegramas registrados a Samuel Weiser, Inc. e ao próprio Donald Weiser não conseguiram qualquer resposta do "representante" de Motta. Motta em suas cartas instruía urgentemente Wasserman a não permitir a McMurtry, Phyllis, ou Helen a posse da Biblioteca a menos que pudessem exibir uma carta patente da O.T.O. do Sr. Karl Johannes Germer.

Estas cartas foram enviadas por Weiser ao seu fiel cão, como ficou claro na deposição de ambos mais tarde durante o processo no Maine; mas Wasserman nem levou ao conhecimento deles nem telefonou para Motta, como lhe foi pedido que fizesse.

Em 9 de julho de 1976 e.v. Grady McMurtry requereu ao Tribunal Superior do município de Caravelas, Califórnia, para transferir a Biblioteca Crowley-Germer para si como "representante devidamente estabelecido e autorizado da O.T.O. nos E.U.A."...

Referimos o leitor ao texto da última carta do Sr. Germer para Grady McMurtry reproduzida nas Notícias da O.T.O.

... Esta afirmação foi confirmada por Phyllis McMurtry, Helen Parsons-Smith, e James Wasserman sob sua procuração de Marcelo Ramos Motta no Brasil. Kenneth Grant e Joseph Metzger não foram mencionados nos processos.

Em 18 de julho Wasserman escreveu para Motta uma carta informando-o que a gang da Califórnia obtivera a posse da Biblioteca Crowley-Germer com sua ajuda.

Na realidade, esta era uma outra mentira calculada. Como futura investigação provou, e o próprio Wasserman, em face da evidência foi forçado a admitir sob juramento, que a Biblioteca não estava nas mãos deles, e Motta ainda teria tido tempo para voar aos E.U.A. e pôr um fim nos processos. O propósito da carta de Wasserman era afastar esta inconveniente possibilidade fazendo com que Motta acreditasse que estava face a um fato consumado. O estratagema teve sucesso porque Motta ainda era idiota o bastante para acreditar num mentiroso — particularmente um que afirmava ser um Probacionista da A\ A\ .

A carta era muito característica da aura produzida pelo tipo de fracasso iniciático que impregna a gang da Califórnia. Foi endereçada da caixa postal de McMurtry; isso também, claro, era proposital.

a/c Caixa Postal 2043

Dublin, Cal 94566

18/7/76 E.V.

Care Frater A\ :

Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei.

Estou aqui em Dublin, Califórnia, na casa de McMurtry e feliz em informar que apossamo-nos do restante da Biblioteca de Germer...

A primeira mentira. Eles ainda não tinham "se apossado" dela: vários dias se passariam até que pudessem e ainda dava tempo de Motta nomear outro representante ou de voar para a Califórnia pessoalmente — tivesse ele o dinheiro o qual Wasserman sabia bem que ele não tinha. Mas Motta tinha outros — e menos traiçoeiros - alunos americanos. Eles podiam ter emprestado o dinheiro para a viagem ou se oferecerem para contratar um advogado para ele. A intervenção deles tem que ser evitada a todo custo.

... Havia uma grande quantidade, maior do que esperava encontrar. Parece que quase todas as correspondências de Crowley que foram enviadas a Nova Iorque quando ele morreu estão, na maior parte, intactas. O volume da correspondência de Germer também está lá. Um achado totalmente inesperado foi um grande número, cerca de 25, de pinturas originais de A.C., a maioria em excelente condição. Também algumas cópias de LIBER AL na edição de 1938 (sic), várias cópias de OLLA, alguns fotolitos com o Selo da O.T.O., e algumas outras coisas incluindo livros ocultos e gerais misturados. No total havia quatro arquivos cheios e cerca de 15 a 20 caixas de papelão...

Isso coincidia com a memória de Motta do conteúdo da Biblioteca, e significava que o primeiro roubo concentrou-se em material menos importante, mas rapidamente vendável. Note a segunda mentira:

... Todo material Telêmico do espólio foi liberado. Graças a cooperação do Secretário do Município, Sr. Gualdoni...

Para um parente de quem, o leitor está lembrado, a casa e sua propriedade foram vendidas, indubitavelmente, por menos do que seus valores reais, com o conhecimento e encorajamento de McMurtry.

..., e o trabalho cuidadoso de Grady, Phyllis e Helen...

Exatamente as três pessoas que Motta o instruíra a não deixar que pusessem suas mãos no material, a menos que pudessem mostrar uma autorização do último dono ou de um de seus testamenteiros!

..., o material deverá ser liberado sem nenhum obstáculo em 26/7/76 (sic) ...

Note que nenhuma explicação é dada do fato de que a decisão não era final: a liberação é apresentada como uma mera formalidade. Também, nenhum número de telefone é dado através do qual seu superior pudesse se comunicar com ele, nenhuma explicação é dada do seu silêncio de trinta dias, nenhum endereço é dado para comunicação, exceto a caixa postal de McMurtry, e nenhuma menção das cartas de instrução de Motta enviadas através do endereço de Weiser. Foi assim deixado em dúvida se Wasserman as havia recebido ou não.

Em seu depoimento sob juramento, e no processo no Maine, Wasserman admitiu que recebera as cartas de instrução de Motta, mas "sentiu um conflito de interesses" e decidiu pelo grupo de McMurtry. Note novamente que ele não deu nenhuma opção ao seu superior, nenhuma explicação, nenhuma orientação que fosse. Se Motta tivesse escrito uma carta, ela chegaria lá após a "data da liberação". Se Motta enviasse um telegrama, teria ido para a caixa postal de McMurtry.

... Então Grady alugará um caminhão e o transportará. Assim seja.

A infestação demoníaca mostra-se mesmo no uso inconscientemente escarnecedor da Fórmula da Vontade dos Telemitas.

Quanto a essas pessoas, tenho-me encontrado num verdadeiro abrigo de Télema...

Entre mentirosos, impostores, caloteiros e antigos e futuros ladrões. Mas então, cada um de nós constantemente procura a companhia dele ou dela entre seus parentes — genéticos, intelectuais ou morais.

... Meus temores provaram ser sem fundamento...

O leitor está outra vez lembrado de que Weiser e McMurtry já estavam negociando a publicação de material Telêmico com a "autorização" de McMurtry, pela qual McMurtry receberia o reconhecimento como "Califa" e "legítimo" representante da O.T.O., enquanto Weiser ficaria com todos os lucros. Wasserman não tinha, de qualquer modo, "temores" daquelas pessoas. Ele pretendia trair desde o começo, e considerava a si e seu patrão de muita sorte quando obteve a procuração de Motta, da qual ele abusou tão por completo.

No Maine, Motta observaria a seu advogado, que era Judeu, em resposta a acusação de Weiser de anti-semitismo: "Oh, com certeza, eu sou um anti-semita. É por isso que dei uma procuração total a um Judeu, e tinha outro como meu editor."

O advogado de Motta, secamente: "E um como seu advogado".

Pode-se observar de passagem que, fosse Motta julgar todos os Judeus pelo comportamento de Wasserman e Weiser, ele teria toda justificação possível de ser um "anti-semita". (Ouviram-no observar, a um Judeu Sionista: "Eu não sou um anti-semita. Alguns de meus melhores amigos são Árabes!") Dessa acusação, incidentalmente, Weiser não foi capaz de fazer uso, embora tentasse. Considerando o nível de parcialidade dos juízes naqueles processos, obviamente nenhuma evidência crível do suposto ódio de Motta aos Judeus poderia ser fornecida.

... E minhas expectativas foram muito mais do que ultrapassadas. Isto um centro viável e funcionando a trabalho dedicado em Nome do Senhor do Aeon (sic)...

Note a sintaxe. Wasserman, um editor experiente, normalmente escreveria um inglês muito melhor do que esse. Ele estava possuído.

Mesmo com sua mente no lugar, no entanto, Wasserman seria tão incapaz de reconhecer o trabalho em Nome do Senhor do Aeon, quanto seria em reconhecer um Judeu honesto. Você não pode ver além da sua capacidade de visão.

Eu vi a documentação de Crowley para Grady e posso lhe assegurar que esses documentos não pretendiam brincar com ninguém...

Nenhuma menção é feita ao fato de que Motta o instruíra para certificar-se se as três pessoas tinham qualquer documentação de Germer. Novamente, Wasserman seria tão incapaz de reconhecer o humor iniciático de Crowley quanto fazer um dia de trabalho honesto para um patrão moralmente honesto por qualquer período honesto de tempo. Ele era desequilibrado em Buddhi-Manas mesmo antes de abrir sua aura ao ataque furioso de forças demoníacas que infestavam os McMurtrys e, através deles, a patética Helen.

... Pelo contrário, eles estão em papel timbrado da O.T.O., e assinado por Baphomet X°, e inclui o selo erguido de Ank f n knonsu (sic)...

Note novamente a inabilidade de um demônio de escrever ou pronunciar corretamente um nome sagrado. O que quer que estivesse escrevendo através de Wasserman escreveu — e agiu — através dele desde então.

Este Selo "erguido" de Ankh-f-n-khonsu, incidentalmente, estava no anel de Cargo de Crowley, que era uma das peças da Coleção de Germer roubadas por McMurtry, que mais tarde afirmou publicamente que era o Anel do Mestre do Templo mencionado em LXV v 15-18!

... Não há dúvida quanto à legitimidade deles. Além do mais, vi uma carta a Grady transmitindo a Palavra do Equinócio de um certo ano da década de quarenta e assinada por To Mega Therion 9°=2 A\ A\

Assim, de fato, tinha toda a familiaridade de Crowley naquele período, incluindo pessoas com nenhuma conexão formal que fosse com Télema. É impossível dizer se Wasserman estava mentindo conscientemente aqui, ou estava totalmente sob a influência da Neófita fracassada, Phyllis. Ele certamente não estava sob a influência de McMurtry. McMurtry nunca teve qualquer força má própria. Ele era um fracasso mesmo como um fracasso.

Estou convencido de que estas são pessoas sinceras que trabalharam assiduamente contra os contínuos obstáculos...

Especialmente os Germers!

... para preservar e proteger a integridade da O.T.O. e da difusão da Lei de Télema entre a humanidade. Juntando meu conhecimento de suas experiências com o que me contaram aqui, o quadro que emerge é aquele no qual o cenário da obstinação Prussiana de Karl e a paranóia traiçoeira de Sascha criaram uma situação intolerável na qual era completamente impossível salvar a Biblioteca antes desta semana...

O leitor deve recordar que a Biblioteca foi subseqüentemente roubada por Phyllis, na época da publicação do Equinox V 2, quando ficou absolutamente claro para ela que Motta nunca se submeteria a sua chantagem, não mais do que se submetera à de McMurtry; e novamente foi "roubada", sem que a fechadura fosse forçada, anos mais tarde, quando Motta deu início ao seu processo contra Weiser e surgiu a possibilidade de que se ele ganhasse, poderia ir à Califórnia e processar a gang McMurtry pela posse desse muito precioso legado Telêmico.

Deveria ser observado aqui que Motta nunca fez menção do Sr. Germer a Wasserman, exceto como Sr. Germer; ver o primeiro nome do seu Mestre escrito por uma tal mão suja e por uma tal mente suja o irritou muito. Foi um outro indício do profundo envolvimento de Wasserman com o trio dos irmãos fracassados da Califórnia.

O Sr. Germer, após um período de troca de correspondência com Motta, insistiu que eles se tratassem pelos seus primeiros nomes. Motta não gostava disso: para ele, "Care Frater" é muito mais íntimo do que primeiros nomes humanos, que nunca são escolhidos pelo receptor a menos que ele ou ela se dê um novo! Todos os Californianos endereçavam ao Sr. Germer como "Karl", e Sascha Germer como "Sascha". Motta sempre preferiu chamar as pessoas pelos seus Motos e ser chamado pelo seu. Mas isso pode ser um plano de perfeição. No entanto, ver um pedaço de detrito humano como Wasserman, referir-se ao Sr. Germer como "Karl" e criticar uma pessoa tão além dele, mesmo como um Neandertal está além de um macaco foi, para Motta, o fim de qualquer tipo de relação entre si e seu "aluno" traiçoeiro.

..., isto sendo totalmente fantasia de Sascha, possivelmente baseada em parte numa vaga semelhança entre as mãos da filha de Phyllis e aquelas da infame líder de uma Loja de Magia Negra de nome Jean Brayton com o qual você deve estar familiarizado pela a leitura de A FAMÍLIA...

Esta carta poderia muito bem ter sido ditada materialmente por Phyllis Seckler — ou antes, pelo que já ocupava o corpo de Phyllis Seckler naquela época, e tem ocupado desde então.

... Sascha viu simplesmente um par de mãos estender-se e atirar ácido ou gás lacrimogêneo em seus olhos, desde modo cegando-a. Você já conhece seu ciúme de Phyllis com a qual ela também cortou após a morte de Karl. Incidentalmente, toda a informação naquele livro a respeito da Loja Solar foi cuidadosamente investigada por Grady para as autoridades federais, estaduais, municipais e locais, e então mais tarde transferidas para Ed Sanders...

O leitor sério deveria comparar essa afirmação com a de McMurtry a respeito do mesmo assunto em sua carta a Motta. McMurtry afirma claramente que ele "investigou" o roubo, e colocou toda a evidência na porta das autoridades federais, estaduais e do município, todas as quais recusaram instaurar processo. Sob ameaça de uma injunção, McMurtry forneceu os "registros" que havia de sua investigação. Isso foi, como teremos a oportunidade de afirmar novamente, um simples encobrimento, cujo único propósito era desviar a atenção de Seckler e sua família.

Desde que as autoridades se recusaram a levar a sério a "evidência" de McMurtry contra Jean Brayton, a versão de McMurtry do roubo foi "transferida" - uma palavra fina — àquele jornalista marrom de segunda classe, Ed Sanders, cujo livro é o caos abaixo do brilhante e impressivo Helter Skelter (um livro que Motta, incidentalmente, considera pessoalmente anti-ético. Um promotor público não teria mais direito de lucrar da evidência obtida no curso de seus deveres públicos do que um médico ou um advogado ser permitido de ganhar dinheiro trazendo a público a doença ou os problemas de um cliente).

Incidentalmente, esta é uma técnica típica da C.I.A. e do F.B.I.: desmoralizar alguém trazendo a público informações totalmente falsas ou desencaminhadamente interpretadas sobre a pessoa. É exatamente a técnica que levou a personalidade cinematográfica Jean Seberg ao suicídio; mas seu homônimo parece ser feito de material mais sólido. Jean Brayton está escondida, como bem deveria estar, mas viva e lutando, segundo suas últimas notícias, aos cuidados de seu advogado.

Talvez os parágrafos pertinentes de uma carta a Motta, de Robert Duerrenstein, um dos mais íntimos associados de Brayton durante os anos da "Loja Solar", deveriam ser citados aqui:

"Não estou cônscio de qualquer roubo de documento da Sra. Germer. Em 1971 (sic), quando retornamos do México para lutar pelas justificativas e acusações resultantes da altercação com a lei no deserto, ouvimos dizer que novas acusações sobre nós (Loja Solar) estavam sendo postas em discussão, de termos roubado alguns livros. Ouvimos dizer que os McMurtrys estavam envolvidos nas acusações. Eu não tenho idéia se foram livros ou documentos secretos ou pepinos que fomos acusados de ter roubado, mas não ouvimos dizer mais nada sobre este evento, nem vieram à tona quaisquer outras comunicações ou acusações.

"Em 1964 (e.v.) Jean e eu perguntamos a Ray..."

Ray Burlingame, um ex-membro da extinta Loja Ágape, a quem Motta conheceu pessoalmente.

"... se não seria sábio contactar Sasha (sei que não se escreve assim, mas nunca vi o nome escrito) Germer para discutir o futuro da O.T.O.. Ele indicou que ela não tinha nada de que necessitávamos em matéria de consciência ou materiais; ele inferiu que ela era "negra", e que deveríamos evitá-la. Assim fizemos!...

"De fato, não tivemos nenhum contato com qualquer outros membros da O.T.O., exceto aqueles que mencionei."

A carta do Sr. Duerrenstein é muito extensa e privada para ser citada na íntegra. Uma outra afirmação que ele faz é que Brayton e companheiros tinham um processo em andamento contra Ed Sanders durante algum tempo, mas aparentemente o abandonaram por falta de fundos. Eles pareciam estar sob a impressão de que a falsa informação sobre eles havia sido fornecida para Sanders por um certo Jerry Kay, que esteve com eles no deserto por apenas alguns dias. Talvez eles agora saberão quem informara mal Sanders sobre eles.

Voltamos à obra prima de Wasserman:

... Sob as circunstâncias como as percebo (sic) estamos lidando com a mais fortuita das situações, os sentimentos de Grady sobre o Califado são totalmente diferentes de algo tão pueril como estabelecer uma "dinastia pessoal". Ele a vê como um verdadeiro Irmão veria, isto é, ele reconhece a intenção de Crowley de estabelecer continuidade por um cargo legítimo e reconhecido através do qual a sucessão da O.T.O. poderia ser protegida...

Um outro sintoma de possessão demoníaca é quando se afirma com a máxima firmeza exatamente o oposto do que se faz, tal como Ronald Reagan chamando os contras nicaraguenses de "combatentes da liberdade", e afirmando que ele é pela paz enquanto manobra para acabar com o Salt II. As "palavras" e os "atos" seguem desordenadamente; confusão é chamada ordem, dispersão é chamada coesão, crime é chamado virtude, loucura é chamada razão.

... Além disso Grady imagina que sua sucessão ao cargo seria determinada por conselhos dos membros do IX° se reunindo ou votando na harmonia da Lei para expedir a Vontade da Ordem.

McMurtry sendo um mentiroso, um traidor, um informante e um ladrão, era natural que numa era que viu Nixon e Reagan alcançarem a presidência, ele pensasse que a O.T.O. funcionaria tão "bem" como os Estados Unidos da América se este fosse uma democracia. No entanto, pretende-se que a O.T.O. funcione muito melhor, e como Motta teve a oportunidade de observar a um aluno americano, "O fato de que um mentiroso e ladrão trabalha ou trabalhou para o governo americano não lhe dá o direito mesmo de pertencer à O.T.O.; muito menos de liderá-la."

Seria ridículo se a O.T.O. seguisse um modelo político que colocou uma ruína intelectual e moral como Ronald Reagan numa posição para enviar cem por cento dos eleitores de um país ao holocausto nuclear, quando somente trinta por cento daqueles eleitores foram tolos o bastante para votar nele.

Não obstante, como os documentos apresentados pela gang McMurtry sob mandato legal mostram muito bem, não há evidência alguma de que Crowley pretendesse que o Cabeça Externa da Ordem fosse eleito, exceto nas mais excepcionais circunstâncias; não há evidência alguma de que ele pretendesse colocar McMurtry acima do Sr. Germer, ou mesmo de equipará-lo com o Sr. Germer; e não há evidência, nem mesmo mínima, de que ele alguma vez pretendesse criar um cargo de "Califa" para competir com o cargo de Cabeça Externa. Tudo isto foi invenção do próprio McMurtry.

A Casuística continua:

As palavras de Crowley para Grady nas cartas do Califado estabelecem (sic) que em essência o cargo do Califado é equivalente ao cargo de C.E.O. como você verá quando ler as cartas, isto é evidente por si...

"Evidente" para Wasserman e Donald Weiser que, ambos Sionistas, e em contato com Oskar Schlag, o especialista em guerra ideológica, sabiam que podiam controlar McMurtry facilmente, mas não podiam controlar Motta, não mais do que os Weisers foram capazes de controlar o Sr. Germer.

Foi de muita sorte para Motta que McMurtry, como veremos, enviasse as assim chamadas "cartas do Califado" junto com sua tentativa absurda de chantagem e esta perfeita amostra da falta de moralidade pessoal e profissional de Wasserman: de outra forma, Motta teria sentido o dever de examinar os documentos antes de decidir que posição tomar, e poderia ter que esperar mais alguns anos antes que fizesse ambas as coisas. De fato, se Wasserman conhecesse Motta tão bem quanto afirmava, ele teria aconselhado McMurtry a reter do brasileiro as "cartas do Califado" tanto quanto possível!

Eles esperavam, é claro, chantagear Motta com a posse dos arquivos de Germer. O que eles não sabiam é que é impossível chantagear qualquer pessoa que tenha o mínimo de caráter. É compreensível que eles não percebessem esse fato: você somente pode ver nos outros o que você tem em si mesmo.

Mais tarde, incrivelmente, Phyllis Seckler e Helen Parsons-Smith, tendo temporariamente cortado contato com McMurtry, tentaram fazer uma aliança com Motta novamente através de chantagem. No entanto, não sendo o governo americano, Motta não faz tratos com pessoas desonestas.

... Reconheci na noite passada, enquanto só em meu quarto de motel, com um claro lampejo de percepção, que Grady é o Cabeça Externa da Ordem...

Se esta afirmação foi verdadeira, foi outro sintoma de invasão demoníaca da fraca e desprotegida aura de Wasserman. Entretanto é muito mais provável que isso foi uma outra simples manobra por dois judeus muito maus, para fazer o tipo de acordo que desse a eles a maior quantidade de dinheiro e poder sobre Télema. O fato de que arruinaria a O.T.O. seria apenas uma atração adicional no trato, uma vez que já deveria estar claro para o leitor atento que Donald Weiser odiava a firmeza de Karl Germer.

... Não acredito que alguém pudesse encontrar uma pessoa mais qualificada. Como um Libra duplo, Áries no ascendente, ele é a perfeita combinação de equilíbrio, sendo de justiça, auto-confiança e energia criativa...

Oh... Força-se à conclusão de que mesmo um mau judeu não poderia ser tão idiota; Wasserman estava portanto sob sério ataque. Ele desde então tornou-se, num nível bem mais baixo, claro, o tipo de coisa que Seckler já era, e que McMurtry pouco a pouco estava se tornando. O leitor sério é referido à Seção IV das Notícias da O.T.O..

Sua seriedade e generosidade de caráter são enormes...

Um pouco fraco de pulso, não? Quanto à seriedade e generosidade de caráter de McMurtry, o leitor ou a leitora sérios podem tirar suas próprias conclusões dos dados. Este escritor opinaria que ele era tão sério e generoso de caráter como Phyllis Seckler ou Donald Weiser ou Edwin Meese ou Jerry Falwell. Para não dizer nada do próprio Grande Comunicador.

... Seu treino como Cientista Político (sic) (Grau de Professor) mais seu distinto registro de Guerra (sic) (Soldado a Major na Segunda Guerra Mundial e Coréia)...

Para a infelicidade de Wasserman e McMurtry, Motta vê o envolvimento dos E.U.A. na Coréia do mesmo modo que vê o envolvimento dos E.U.A. na Nicarágua ou no Vietnam. Hoje em dia a Coréia do Sul é um dos países mais corruptos e opressivos do mundo. Foi formado e é mantido por cartéis americanos internacionais que trabalham através do governo americano e da C.I.A., tal como o Chile, as Filipinas, e o resto das ditaduras militares da África, no extremo oriente, e Américas Central e do Sul. Os ornamentos do governo civil, nos quais estes países estão agora progressivamente se mascarando, parece não enganar ninguém, exceto cerca de trinta por cento dos eleitores americanos.

... combinados com seus anos de experiência em trabalho administrativo nos governos estadual e federal...

O que é difícil de compreender é como alguém com tal extensa educação e com um salário do governo era incapaz de pagar suas mensalidades durante quarenta anos e ainda devia o dinheiro da Ordem na época que o Sr. Germer morreu. Difícil também de compreender porque ele nunca deu um centavo para ajudar a um ou outro dos Germers nas últimas décadas de suas vidas atormentadas. Ou de modo algum difícil de compreender, quando se está de posse de todos os fatos.

..., dá-lhe as únicas qualificações necessárias para liderar uma Ordem dos Monges Cavaleiros de Télema erguendo suas lanças na honra (sic) sagrada de Nossa Senhora...

Oh garoto. E de quebra misturando as Ordens. Mas não faz mal. Parece, gentil leitor, que se você tem um Grau em Ciência Política de uma Universidade Americana e Trabalhou para O Governo Americano, você tem todas as qualificações necessárias para Liderança em Télema. Agora você sabe, então vá em frente.

Tem-se a curiosidade de saber se Wasserman estava rindo dissimuladamente para si mesmo enquanto escrevia isso. Se não, ele já estava louco.

Tendo estado aqui agora por três dias e quatro noites estou vendo esta visita dar frutos. Primeiramente eu estava inseguro e menos do que confiente (sic) de que qualquer coisa pudesse resultar em termos de ver cooperação particularmente entre você e as senhoritas...

Oh, as "senhoritas". Espectos de Franz Hartmann.

... Mas após dois dias com Grady, que veio de Berkeley, o raio de esperança tornou-se um Sol de glória e sei que isso pode dar certo. Talvez seja o elo da biblioteca funcionando como um talismã de Télema...

Isto, você compreende, do homem que estava traindo sua procuração e fazendo um trato pelas costas de Motta; um homem que mais tarde se perjuraria no tribunal a favor de seu empregador; é agradável ouvir traidores falarem de Télema! Eles tagarelam tão bem. Nada, no entanto, comparado com a carta de McMurtry que segue adiante.

... veio como um grande choque saber que Karl assumiu o cargo de C.E.O. de uma maneira que não estava de acordo com as diretivas expressas de A.C. para uma eleição a ser feita entre um conselho dos membros do IX° um ano após sua morte para escolher o novo C.E.O....

O leitor sério deve estar lembrado de que Crowley não deixou, de maneira alguma, tais instruções. Todo esse emaranhado de mentiras foi invenção dos patrões de McMurtry para depreciar e destruir a O.T.O. Wasserman estava absolutamente cônscio disso, mas estava atentando fornecer falsa informação ao seu superior com o propósito de evitar a ida de Motta aos E.U.A. — supondo que alguém emprestasse a ele o dinheiro necessário para isso! — ou de nomear um outro representante para lidar com os problemas da Califórnia.

... Eu pressinto que disse a verdade aqui e peço que a considere seriamente.

O nível de indignidade a que um aspirante fracassado pode descer nunca deveria chocar. O leitor está lembrado que este homem trabalhou como um editor para Samuel Weiser, Inc., e que Donald Weiser tinha acabado de publicar nos E.U.A. a pirataria de Francis "King" dos rituais da O.T.O., na bem documentada introdução na qual (escrita sob a orientação de Gerald Yorke!) era claramente afirmado que McMurtry não possuía autoridade real na O.T.O. e que Germer era o legítimo sucessor de Crowley. Se Donald Weiser ou James Wasserman possuíssem o mínimo grau de integridade pessoal, como editores ou como seres humanos, eles teriam o dever de honra ou de destruir sua edição da pirataria de King ou de abandonar todo o contato com McMurtry. Ao invés disso, sendo o que ele era, Donald Weiser continuou a publicar a versão de "King" ao mesmo tempo que publicava as cartas do Tarô com o endereço de McMurtry e publicando piratarias de material Telêmico nos quais o nome de McMurtry era dado como o representante legítimo da O.T.O.. Deveria ser também observado que, quando vivo — ou o que passa por vivo numa pessoa em sua condição — McMurtry cooperou com Weiser e não dava atenção às piratarias de Weiser de material da O.T.O., ou ao texto de um livro que, fosse sua versão dos fatos não verídica, era altamente difamatório contra ele. De fato, McMurtry não ousou exigir royalties mesmo para a O.T.O. daquelas vendas. Este era o "Sol de glória" que liderava uma Ordem Telêmica, de acordo com Wasserman.

Após a morte de Karl, havia, quase que literalmente, o estado de emergência indicado nas cartas de A.C. para Grady, e como tal seu dever claro e inequívoco, na autorização direta de Baphomet X°, era agir, e ele agiu.

O leitor deve lembrar-se de que McMurtry não soube da morte de Karl Germer — pelo menos de acordo com o seu testemunho no tribunal! — durante uma década. A evidência disponível indica que ele foi chamado à Califórnia por Seckler, que estava com medo de que as acusações da Sra. Germer eventualmente encontrassem atenção, e que o manipulava magicamente na direção de seus próprios desejos até que ele cedeu aos encantos de uma mulher mais jovem. Então ela roubou apressadamente a Biblioteca para longe dele e tentou fazer um trato com Motta, o qual recusou. Mas esse é um assunto para a próxima parte desta história.

Eu pedi para ser admitido na O.T.O. e minha iniciação ao Grau de Minerva será na terça-feira, 27/7. Como sua própria carta é operativa somente no Brasil, e como você instruiu a mim e a K.N. ...

James Daniel Gunther, na época sob a instrução de Motta.

... para trabalho da O.T.O. na América...

Isso era absolutamente incorreto. Motta não instruiu nenhum dos dois para fazerem "trabalho da O.T.O. na América"; e se ele tivesse instruído algum deles para isso, não seria Wasserman, em quem não confiava por completo. O Cabeça Externa da Ordem não interfere com o trabalho em qualquer país, a menos que se torne absolutamente necessário. Wasserman estava meramente tentando obter uma afirmação de Motta no assunto que revelasse a reação de Motta a sua traição e as futuras intenções de Motta.

... eu não estou hesitante em tomar esse passo após um claro regonhecimento (sic) da legitimidade dessa loja como uma verdadeira representante da corrente da O.T.O. na América.

Estou também considerando que minha vontade pode estar me levando a um curso diferente daquele descrito em minha última carta a você. Diferente pelo menos no momento. Há uma biblioteca inteira de volumosa correspondência precisando ser catalogada, indexada, e preservada...

No entanto, após entregar a biblioteca nas mãos das pessoas das quais Motta o avisara, ele teve a desagradável surpresa que Motta lhe disse que era inevitável: Phyllis recusou o acesso de Motta ou de McMurtry à biblioteca, e escreveu-lhe que décadas se passariam antes que ela permitisse à Motta ou J. D. Gunther qualquer acesso ao material.

... Helen responsabilizou-se por esta tarefa...

Da evidência que se tornou disponível em ambos processos, o trabalho de Helen nisso consistiu principalmente em selecionar valorosas primeiras edições para serem vendidas por ela e por Phyllis. Elas guardaram o dinheiro para si mesmas.

... e eu ofereci minha ajuda...

A qual foi recusada, e não polidamente; mas somente após a Biblioteca estar seguramente nas garras de Phyllis. McMurtry uma vez mais fez jus a seu moto: O Tolo do Casamento.

... Todas as pessoas aqui concordam com suas idéias de uma Biblioteca aberta...

Novamente falso; mas é difícil assegurar se ele realmente acreditava nisso. Muito provavelmente não; mas não previu que ele mesmo estaria incluído entre as pessoas às quais não seria permitido o acesso.

... Mas há muito a ser feito para estabelecê-la e Grady e Phyllis estão completamente absortos no trabalho da Ordem. Helen disse que se for minha Vontade, ela não recusará minha ajuda. Estou pensando a respeito disso.

Como vejo a situação, houve uma confiança recebida. E traz com ela a responsabilidade de se juntar um com o outro para continuar esta obra. A natureza tênue e crítica desse momento na história de Télema foi selada pelo resgate dessa Biblioteca do perigo nisto (sic) ela caiu através de uma falta de confiança e cooperação entre Telemitas, uma inabilidade de pôr de lado ressentimentos pessoais por uma causa mais nobre. Talvez armados com a percepção dos erros do passado, um novo futuro pode ser construído. Quando necessário como uma lembrança, podemos meditar no quanto já foi perdido.

Em nome da Grande Obra,

Amor é a lei, amor sob vontade.

Fraternalmente,

L.

Assinada com a inicial do moto de Wasserman como Probacionista. O último parágrafo, se você puder ler através da sintaxe e do estilo empolado próprio da companhia que ele mantinha, soa muito nobre, não?

Se esta carta tivesse enviada na data em que foi escrita, haveria um leve perigo de que chegasse a Motta, que estava totalmente sem contato com Wasserman, antes que a Biblioteca de Germer fosse entregue às garras daqueles "trabalhadores de Télema" americanos. Assim, a carta de Wasserman foi retida, e enviada com a carta de McMurtry datada de 21 daquele mês. Ambas as cartas, enviadas via aérea, chegaram a Motta, como aqueles canalhas previram, depois que o representante do município, Gualdoni, (cujo parente comprou a casa da Sra. Germer do município para uma figura que Motta nunca pode identificar, o leitor se lembrará) entregou a Biblioteca nas suas mãos.

Este é o texto da carta que Motta escreveu em resposta à de Wasserman:

26 de Julho de 1976 e.v.

An LXXIII

Sr. James Wasserman

a/c Hollywood Downtowner Motel

5601 Hollywood Blvd.

Los Angeles, Cal.

Caro Sr. Wasserman:

Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei.

Grato por sua carta do dia 19.

Você foi, posso ver, completamente vendado pelo Sr. Grady e Companhia — a menos que você cooperou conscientemente no roubo perpetrado por eles. Você diz que Grady tem a Biblioteca — isto significa que enquanto você estava me oferecendo suas impressões e sentimentos sobre a "disposição" da Sra. Smith de "permitir que eu possuísse a Biblioteca", ela estava assegurando que aquelas "inofensivas autoridades locais" que o mantinham fora e que "não são fantoches meus ou seus" estavam ajudando aquele grupo a completar o que é chamado de "posse" — o que, você graciosamente me informa, são dois terços da lei...

Isso se referia a uma carta prévia de Wasserman, da qual ele descrevia, com um prazer sinistro, o estado terrível de decadência da casa onde a Sra. Germer vivera seus últimos miseráveis anos. Esta carta foi enviada ao endereço acima. Motta escreveu sua carta em duas cópias: uma foi enviada aos cuidados de Samuel Weiser, Inc., a outra ao endereço de seu motel o qual era o único que ele tinha de Wasserman, além da caixa postal de McMurtry. A carta ao motel foi retornada com os dizeres: destinatário desconhecido.

... Sua lei, talvez — mas eu vivo de acordo com um outro tipo de Lei, senhor.

Você notará que eu não endereço a você como Frater. Eu não quero ouvi-lo diretamente, nunca novamente. Esta é a última carta que escrevo a você. Você informará Frater K.N. do conteúdo desta carta, e você exercerá seus últimos deveres como meu representante legal de acordo com a Procuração que lhe enviei para xerocar todo o material da Biblioteca Telêmica...

Naturalmente, como Motta já havia previsto, não foi permitido a Wasserman fazer isto — supondo que ele seriamente tentou.

... Os xeroxes serão entregues à custódia de K.N.. Se ele desejará aceitá-lo como seu Probacionista ou não, é da conta dele...

James Daniel Gunther tomou Wasserman como Probacionista por um certo tempo, e cortou contato com ele quando Wasserman persistiu em vender livros raros da biblioteca de Germer para Helen-Parsons-Smith e Phyllis Seckler. Wasserman não devolveu sua Procuração até que soubesse que Motta forneceu a Gunther uma Procuração revogando a prévia. No entanto a Gunther também foi recusado o acesso à Biblioteca por Seckler e Parsons-Smith.

Não posso suportar tolos — e quando você ousa criticar o Sr. Germer a mim — seu monte de excremento sem caráter! — você realmente se coloca mesmo além do meu limite de tolerância.

Você informará Grady McMurtry, Phyllis Wade, e Helen Parsons-Smith que eu não os aceito ou os reconheço como tendo algo a ver com o movimento da O.T.O. que Aleister Crowley confiou ao Sr. Germer após sua morte, e que o Sr. Germer confiou a mim na ocasião de sua morte.

Você também informará o Sr. Weiser que eu não mais pretendo publicar qualquer material meu sob seu cunho. As razões sendo, primeiro, o estado miserável no qual a Sra. Germer morreu; segundo, que ele persiste em piratear material ao qual ele não tem qualquer direito. Eu não lido com ladrões — mesmo os "legais".

Você me diz que a Sra. Germer estava insana. Eu lhe recordei que eu solicitei que você conversasse com ela quando ela ainda era viva, e por razões suas, seu dono e você deixaram isto de lado. Eu não vejo que base você tem para chamá-la de insana, a menos que seja a conveniência daqueles que tão astutamente lucraram com sua morte. Você diz que a própria polícia achava que ela era louca. Como alguém que foi dado como louco, e que foi louco, eu apenas posso observar-lhe que eu conheci a Sra. Germer pessoalmente. Ela não era minha amiga, mas eu a respeitava. Ela era uma mulher muito maior, com todas as suas faltas, do que Helen Parsons-Smith ou Phyllis "McMurtry" ou Grady McMurtry ou você mesmo jamais serão nesta vida.

Você tem uma Procuração minha. Você tem amplas instruções para obedecer, ou o que é deixado delas, em minha carta enviada a você aos cuidados do seu dono, o Sr. Weiser. Obedeça-a ou não. Não me escreva diretamente. Que K.N. me informe de sua decisão — se você puder chegar a uma decisão, pelo menos uma que demonstre caráter moral (também chamado de força de caráter) — o que estou começando a duvidar.

De qualquer modo, repito, não quero nunca mais ouvi-lo diretamente de novo.

Amor é a lei, amor sob vontade.

Sinceramente,

M. R. Motta

Na mesma data, Motta escreveu a seguinte carta a Donald Weiser:

 

Caro Sr. Weiser:

Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei.

Anexa está uma carta ao Sr. James Wasserman a qual é auto explicativa e a qual peço-lhe que entregue caso ele não obtenha a outra cópia que enviei ao seu motel em Los Angeles.

Quero reiterar que estou, através desta, terminando qualquer relação futura com você, como meu editor. Se quiser estender isto ao Equinox V 2, você tem toda liberdade de assim o fazer, mas você perderá seu adiantamento dos royalties, os quais sinto que amplamente mereci.

Minhas razões para terminar com você é dupla. Primeiro, não considero que você tenha defendido meus direitos e interesses ao máximo de sua capacidade e habilidade, financeira ou de outra forma, em West Point, Califórnia.

Segundo, eu intensamente repugno o fato de que você tenha lucrado em edições piratas de Crowleyana enquanto a Sra. Germer estava vagarosamente morrendo de desnutrição na Califórnia.

Quero também chamar sua atenção de que fui informado que James Wasserman pretende publicar material no Equinox V 2 (critica literária) e que o dito material ainda não chegou as minhas mãos para exame. Esta é uma flagrante violação de meus direitos de acordo com nosso contrato, o que espero que você corrija.

Quero também saber se a supressão no MANIFESTO da O.T.O. ...

Mencionando os nomes de Parsons-Smith e McMurtry como representantes legítimos da O.T.O.

... Foi feita de acordo com minha última carta a Wasserman, aos seus cuidados. Se não, por gentileza, faça-o, e encontre alguma outra pessoa para representar suas transações comerciais comigo, uma vez que eu não quero ter mais nada com o Sr. Wasserman. De qualquer modo, compreendo que ele esteja deixando o emprego.

Amor é a lei, amor sob vontade.

Sinceramente,

M. R. Motta

A ficção sobre Wasserman deixar o emprego de Weiser foi uma fabricação entre eles para confundir o assunto. Deposições posteriores no tribunal provaram que eles estavam intimamente em contato enquanto fingiam o contrário.

Em 21 de julho Grady McMurtry escreveu a Motta a única carta que recebeu dele. Aqui está o texto desta obra-prima:

Três Vezes Iluminado, três Vezes Ilustre e Muito Caro Irmão.

Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei.

Você ficará feliz em saber que a confusão a respeito dos restos da biblioteca e bens literários de Aleister Crowley ...

Você notará que não há menção ao fato de que não era a "biblioteca de Aleister Crowley", mas a biblioteca de Karl Johannes Germer e Sascha Germer na qual aqueles ladrões estavam tentando pôr suas patas.

... parece por fim estar próxima. Semana passada Phyllis, Helen P. Smith e eu viajemos (sic) a San Andreas, à sede do Condado de Calaveras, e nos mostraram o material em depósito que há tempos foi resgatado da casa em West Point. Quinta-feita Helen, Phyllis e James Wasserman foram a West Point e ajudaram o depositário do município a remover o restante dos materiais da biblioteca do depósito do município ...

Estas eram as primeiras notícias que Motta tinha de James Wasserman durante dois meses atormentados. O leitor está lembrado que a carta de Wasserman do dia 18 foi enviada a Motta junto com esta carta de McMurtry.

Wasserman admitiu em seu depoimento que ele recebeu as cartas de Motta dizendo-lhe para não deixar que McMurtry, Phyllis e Helen tivessem algo a ver com o espólio de Germer a menos que pudessem mostrar cartas adequadas para fazerem trabalho da O.T.O., mas ele sentiu que um "conflito de interesses" estava envolvido e que decidiu por McMurtry. Ele não mencionou o fato que Weiser estava negociando um trato fraudulento com McMurtry sobre as cartas do Tarô. Também, nenhuma menção foi feita do fato de que se Wasserman achou que um "conflito de interesses" estava envolvido, ele teria o dever de informar Motta imediatamente de que ele não poderia representá-lo, e dar a Motta uma oportunidade de encontrar um outro agente ou de ir aos E.U.A. e se representar. Ao invés disto, ele desinformou Motta em sua carta, enviada com esta de McMurtry; e continuou a usar sua procuração outorgada por Motta para convencer o juiz que presidia o caso de que Motta concordava que este material devesse ser entregue nas mãos das três pessoas de que Motta já suspeitava — e esta suspeita foi mais tarde confirmada no tribunal — de que não tinham autoridade do Sr. Germer para representar a O.T.O. de qualquer maneira possível.

... Sábado, Phyllis, James Wasserman e eu fomos à casa em West Point e fizemos uma busca completa, usando uma lanterna para checar todos os cantos desocupados em busca de qualquer item esquecido...

Eles deveriam ter levado Stella com eles.

... Eu então fiz o Ritual telêmico de Banição...

Isso foi bem ao estilo de um "sacerdote" Católico Romano realizando uma Missa!

... no centro do tapete sobre o qual estava a biblioteca, e então removemos este tapete que será lavado e usado em qualquer local que encontrarmos para pôr os restos da biblioteca de Aleister Crowley...

A biblioteca de Aleister Crowley, novamente... O tapete, a casa, os livros, as pinturas, os arquivos, tudo pertencia aos Germers. As poucas coisas de Crowley que estavam lá foram enviadas aos Germers, de acordo com as instruções verbais de Crowley antes de sua morte. Isso foi feito por John Symonds, sem dúvida muito relutantemente, com Louis Wilkinson e a Senhorita Frieda Harris vigiando de perto sobre seu ombro de gatuno.

... Haverá agora um período de espera enquanto as rodas da administração se movimentam em seu usual modo desajeitado, no fim do qual esperamos ter esses bens literários em nossa posse...

Esta foi a única pista dada a Motta de que a situação não era afinal de contas um fato consumado. A incerteza era proposital. Motta não compreendia a situação, não estando familiarizado com tais procedimentos; e além do mais a carta de Wasserman evitava informá-lo de que ainda era tempo de lutar pelos seus direitos.

... Presumindo um resultado favorável no acima, isto será um fim de um esforço antigo e duro de nossa parte para pôr ordem no caos...

Somente nove anos mais tarde foi que Motta descobriu em que tipo de "esforço antigo e duro" McMurtry realmente estava envolvido. Sua atividade teve o efeito precisamente contrário e a intenção oposta do que ele disse — tal como um discurso de Reagan, Nixon ou Kennedy. Vide a última carta que Germer lhe enviou nas Notícias da O.T.O.

... Em 1969 (sic) eu estava trabalhando para o Governo Federal em Washington, D.C., quando Phyllis escreveu-me informando do assalto à Sra. Germer e do saque (sic) da biblioteca por pessoas desconhecidas. Como Aleister Crowley tinha em 1945 (sic), em Hastings, me apontado o Soberano (sic) Grão Inspetor Geral da Ordem...

Crowley, claro, não tinha feito nada disso; mas Motta não saberia disto durante mais seis anos.

..., eu da época (sic) tomei a responsabilidade de retornar à Califórnia e capturar as pessoas que perpetraram esta ação desprezível. Apesar de que consegui resolver o mistério e identificar além de qualquer dúvida a pessoa responsável...

Esta foi outra mentira deslavada. Na realidade, seu depoimento e os documentos fornecidos tornaram claro que sua "investigação" foi meramente um encobrimento em favor de Phyllis Seckler e seus filhos. Nenhuma investigação séria do roubo foi de algum modo conduzida, pela polícia ou por ele mesmo. A culpa foi convenientemente colocada sobre Jean Brayton e seu pessoal, que não podiam se defender, já estando com problemas com a lei por outras razões. Como o leitor pode se lembrar, numa carta a Motta anos antes, Robert Duerrenstein, que foi um dos principais colaboradores de Brayton, negou categoricamente que a "Loja Solar" estivesse envolvida no roubo dos Germers. Na época em que o roubo aconteceu, ele afirmou, o pessoal de Brayton já estava profundamente envolvido com perseguição policial. Alguns deles foram presos e o resto estava sob estrita vigilância. A verdadeira estória da "Loja Solar" de Jean Brayton não foi ainda contada, e a verdadeira estória das manipulações da "O.T.O." de Grady McMurtry está sendo contada pela primeira vez.

..., e informei por completo as várias autoridades da lei envolvidas, i.e., o Promotor Público e Xerife dos municípios de Calaveras e Riverside e o F.B.I., eles absolutamente se recusaram a mover o caso...

Naturalmente! Ou estavam à par de que McMurtry era um agente de inteligência e estava encobrindo um crime por "razões que envolvem Segurança Nacional", como Hoover poderia ter dito, ou a "evidência" que apresentou para basear suas acusações contra a "Loja Solar" era totalmente inconvincente. Faça sua escolha. Os documentos que apresentou sob ordem judicial que se referem a sua "investigação" pareceram totalmente inconvincentes a Motta; mas desde que Motta é suspeito de parcialidade, o leitor é convidado a se decidir por si. Cópias destes documentos podem ser adquiridas solicitando-as — e pagando-as, claro.

... Como você pode imaginar, isto foi frustrante ao extremo, especialmente por que tanto Phyllis como eu nos expomos ao mesmo perigo físico que visitou a Sra. Germer e outros...

Esta referência ao heroísmo e dedicação pessoal dele e de Phyllis não conseguiu trazer lágrimas aos olhos de Motta.

... Creio que você leu o Capítulo 10, A Loja Solar da O.T.O., do livro de Ed Sanders A FAMÍLIA...

Motta não comprou o livro, mas uma cópia lhe foi enviada e ele leu esta obra de jornalismo marrom. Esta falhou em convencê-lo, já que Jean Brayton pode não ser a flor de cheiro mais doce sobre a face da terra, de que Phyllis Seckler-Wade-McMurtry deva ser. Além do mais, não importa o quanto Brayton possa feder (e Motta agora familiarizado com campanhas de difamação, duvida disto), ela era ambergris comparada com Ed Sanders.

... Posso garantir os fatos naquele relato, independentemente do estilo...

Novamente uma mentira, e inábil. McMurtry nunca foi um homem muito inteligente ou muito moral, e nesta época suas faculdades tornaram-se totalmente desordenadas devido ao seu fracasso nas Ordálias. Se ele podia garantir os "fatos", por que a polícia e o F.B.I. não moveram o caso? Por que o Promotor Público não conseguiu processar uma mulher que já estava sob indiciação por outros crimes e sujeita à perseguição deliberada da polícia e do F.B.I.? O fato é que ele estava fornecendo a Motta informações falsas para seus próprios propósitos. O quarteto profano já estava então totalmente convencido da credulidade de Motta, que a princípio pareceu-lhes tão excessiva que acharam que ela devia ser assumida. No entanto eles estavam subestimando sua inteligência pela simples razão de que um ladrão não consegue surpreender a honestidade: ele sempre a equaciona com a estupidez.

... de qualquer modo, foi durante a busca de minha Investigação (sic) da gang de Brayton que se apresentou a possibilidade de publicar o baralho do tarô deThoth...

Um modo elegante de dizer que na época que estava encobrindo Phyllis ele também decidiu roubar a O.T.O..

... Em 1943 (sic) eu dera a A.C. 50 pounds (US$200.00) devido a sua importunação (sic) de que tinha imediatamente que ter em mãos aquela soma para retirar THE BOOK OF THOTH dos editores. Eu nunca recebi o dinheiro de volta, mas ele deu-me um recibo, datado de 1 de Dez. de 1'43 e.v. afirmando que aquela soma deveria ser paga para mim "pelo então Grande Tesoureiro Geral da O.T.O.", quem quer que seja ou quando quer que seja. Ele também deu-me um recibo, datado de 11 de Abril de '45 e.v., designando-me como proprietário de "25% do copirraite de "Aleister Explains Everything" (ou "Magick Without Tears") com primeira prioridade nos royalties"...

Pode McMurtry ter imaginado como a enumeração daquelas somas, daqueles recibos, daqueles acordos financeiros, despertou em Motta uma profunda revulsão e escárnio pelo "discípulo" que engambelou e queixou e lamentou ao seu Mestre já próximo da morte por causa de duzentos dólares, enquanto outros (tal como o próprio Motta) doaram milhares sem pedir nada em retorno?

Anos mais tarde, quando a gang McMurtry foi compelida por uma ordem judicial a apresentar sua correspondência com o Sr. Germer, tornou-se claro que a dívida de Crowley para com McMurtry foi totalmente paga pelo Sr. Germer; que McMurtry (como Phyllis e Helen) não pagou as mensalidades da O.T.O. durante quarenta anos; e que McMurtry pediu dinheiro emprestado ao Sr. Germer enquanto fazia intrigas contra ele, e nunca pagou a soma total.

... "Ele tem prioridade sobre quaisquer cópias não vendidas de "The Book of Thoth" correspondente a somas emprestadas à Ordem." Basta de história recente e passada.

De fato deve ter lhe embaraçado (supondo que o tipo de memória seletiva de tais "discípulos" o permitisse de algum modo lembrar-se disto) continuar o assunto e mencionar que ele recebeu do Sr. Germer cinqüenta da edição de duzentas cópias de "The Book of Thoth", e que as vendeu por tais bagatelas que reduziram o preço de mercado de um livro que hoje é vendido — quando uma cópia é encontrada — por cerca de dois mil dólares.

O leitor notará que nenhuma menção é feita aos copirraites, ou cartas, ou permissão de publicar, por parte do Cabeça Externa da Ordem, que pela Constituição é o único fiduciário da propriedade da Ordem, incluindo os copirraites de Crowley. Mas a brincadeira ainda está começando. Continuemos:

... Em seu "Manifesto da O.T.O." publicado em THE COMMENTARIES OF AL VOCÊ AFIRMA QUE "o XI° Grau automaticamente impede quem o possui de assumir qualquer cargo na hierarquia inferior da Ordem, incluindo aquele de Cabeça Externa." Creio que esta sua posição nos provê com os meios para resolver qualquer mal entendido que possa ter inadvertidamente surgido devido à falta de comunicação. Isso também nos poupará do doloroso processo de lavar certas roupas sujas em público que melhor deveriam ser deixadas dentro dos limites da Ordem...

Motta era muito inocente para perceber que isso era uma ameaça levemente velada de chantagem. McMurtry estava se referindo às cartas de Motta ao Sr. Germer. Mais tarde Phyllis McMurtry escreveria a um dos correspondentes de Motta: "... certas medidas estão sendo tomadas aqui das quais Motta, de modo algum, gostará", com profunda satisfação emanando de cada palavra. Na época Motta achou que McMurtry simplesmente se referia à questão de falsas afirmações de liderança na O.T.O., disputa sobre a qual certamente seria em detrimento da Ordem.

O que segue é uma outra mentira, mas talvez não intencional, por que um outro sintoma do tipo de degeneração produzida pelo fracasso nas Ordálias é que a pessoa é incapaz de pensamento objetivo ou do método da Ciência, e selecionará a evidência e interpretará os fatos para se conformarem com a teoria dele ou dela de como as coisas deveriam ser com o propósito de apoiar o ego dele ou dela.

... Talvez você não esteja cônscio de que as instruções de A.C. para Germer era (sic) que ele, Germer, convocasse um Conselho Geral da Ordem após um ano e um dia da morte de A.C. e que eles elegessem um novo Cabeça. (veja-se anixo (sic) datado de 26 de Fev. de 1948) (sic) ...

Esta foi uma referência a uma carta do Sr. Germer para ele o qual freqüentemente reproduziu como parte de sua reivindicação de que o Sr. Germer não fora nomeado o C.E.O. por Crowley, e que este deve ser eleito. Sua afirmação de que Crowley instruiu o Sr. Germer para fazer isto foi, como observamos, uma mentira, intencional ou não. A iniciativa de convocar um Conselho Geral foi totalmente do Sr. Germer, e o Conselho nada tinha a ver com a eleição do C.E.O., mas com registrar a O.T.O. legalmente. As linhas citadas da carta do Sr. Germer, incidentalmente, foram textualmente tomadas de um documento secreto que não tem absolutamente nada a ver com a O.T.O., mas que totalmente trata de uma outra organização.

... Karl desobedeceu...

Uma pústula como McMurtry chamar o Sr. Germer pelo seu primeiro nome irritou Motta profundamente; e quando outro pústula, Wasserman, que nem mesmo conheceu o homem, fez o mesmo, Motta perdeu completamente sua paciência, como vimos.

... as instruções de Crowley e não fez isto, simplesmente anunciando um dia e um ano mais ou menos mais tarde que ele era o C.E.O. O fracasso de Karl em seguir as instruções de Baphomet significa que ele, Germer, nunca foi propriamente o Cabeça Externa da Ordem, e portanto quaisquer nomeações ou cartas que emitiu, incluindo a sua...

Este era o ponto principal: que Motta era a única pessoa a quem foi dada uma carta por Germer, ou pelo menos a única pessoa a quem o Sr. Germer pretendera dar uma carta (vide Notícias da O.T.O.) desde suas tristes experiências com McMurtry, Grant e Metzger.

..., são tecnicamente inválidas. Pessoalmente eu disposto (sic) a esquecer isto para manter dentro dos limites da Ordem...

Ou em outras palavras: "coce minhas costas e eu coçarei as suas". A mensagem se tornará progressivamente mais clara, se não a gramática.

... No entanto, se você achasse necessário tornar pública sua exigência de que eu renuncie ao Califado, naturalmente apareceria impresso, para a alegria de nossos inimigos e o detrimento do legado de Aleister Crowley...

O qual já então, sem que Motta soubesse, e com a ajuda de Wasserman e Weiser, ele estava no processo de defraudar.

Motta não conseguiu ter a necessária segurança se McMurtry recebeu royalties de Francis "Israel" Regardie pela sua "edição" deturpada e censurada de Magick Without Tears. Ele insistiu com seus advogados da época que fizessem esta pergunta, mas não a fizeram.

... Há também outras coisas de natureza questionável que surgiriam, por exemplo a exata maneira da disposição das cinzas de A.C. em Hampton, N.J....

Leitores desta série se lembrarão que McMurtry queria as cinzas, sem dúvida para eventualmente cobrar a admissão ao sacrário onde seriam colocadas. O Sr. Germer tomou as cinzas e as enterrou sob uma árvore em sua propriedade em Hampton. Uma vez que havia várias árvores lá e ele nunca disse a McMurtry sob qual árvore as cinzas foram enterradas, McMurtry nunca pode recuperar esta potencial fonte de lucro, e ficou completamente furioso.

Na época em que ele lhe escreveu sobre isso, Motta nem mesmo podia compreender sobre o que ele estava falando. Motta, certa vez, sentou-se com o Sr. Germer exatamente sob esta árvore mas foi somente mais tarde que percebeu isso. O Sr. Germer nunca lhe disse que as cinzas de Crowley foram enterradas ali.

... e a excentricidade do comportamento de Sascha que fez com que o Xerife do Município de Calaveras terminasse sua investigação sobre o assalto contra ela e o roubo da biblioteca, mas prefiro evitar essa ação extrema, e espero que você concorde comigo que tal publicidade somente poderia ser prejudicial à Ordem...

Ou, em outras palavras: "Se você me questionar por eu me chamar Califa eu questionarei a sanidade de Sascha Germer." Uma vez que foi a Sra. Germer que escreveu a Motta que ele era o "Sucessor" (ou Seguidor), isso naturalmente faria Motta pensar duas vezes antes de denunciar McMurtry como um impostor.

Nenhum deles conhecia Motta tão bem quanto o Sr. Germer conhecia.

... Para resolver a dificuldade acima, proponho que você me escreva uma carta pessoalmente, a mesma também para ser reproduzida na futura edição de LIBER LXV...

Esta era a planejada edição de Weiser no Equinox V 2. A ignorância de McMurtry e de Wasserman do caráter de Motta era patética. Como poderiam eles pensar que Motta continuaria sua associação com um editor que não somente fracassou em apoiar um escritor contratado, mas que também ativamente conspirou para enganá-lo? Resposta: eles julgaram Motta por si mesmos.

..., afirmando que você renuncia a toda pretensão de se tornar o C.E.O. da O.T.O., sobre a base de que você assumiu o XI° grau da O.T.O.. Também que você se absterá de publicar futuros manifestos a respeito da O.T.O., uma vez que a O.T.O. e a A\ A\ são organizações inteiramente separadas...

Isto foi mera imitação: ele estava citando Motta. McMurtry era totalmente incapaz de compreender em que modo a A\ A\ e a O.T.O. são organizações separadas, ou por que são.

..., e uma não fala pela outra nem comanda a outra (vide xerox de "De Carta de 666, 16 de Set. de 1946", assinada por Saturnus, anixo) (sic) ...

É engraçado (para uma mente sã, naturalmente) que ele buscasse apoio para sua posição nas próprias palavras do homem que ele gastou anos tentando arruinar gradualmente, e que mesmo então estava tentando depreciar.

... Também por que, como um XI° você removeu-se de qualquer responsabilidade administrativa da O.T.O. De minha parte eu prometo enviar-lhe, sob recibo das mesmas, cópias de:

1. As cartas do Califado (onde você verá que A.C. não estava "brincando comigo", mas estava muito seriamente envolvido. Numa dessas cartas ele afirma que: "Uma das (pouco surpreendentes) ordens dadas a mim foi esta: "Não confie num estranho: não falhe como um herdeiro."

Novamente uma mentira, desta vez deliberada: ele estava citando fora de contexto. Estas cartas foram eventualmente apresentadas através de uma ordem judicial. A citação de Crowley vem diretamente dos Rituais da O.T.O., e a referência era a um segredo que foi comunicado a McMurtry mas que ele nunca foi capaz de pôr em prática. A passagem em questão foi apresentada no tribunal, da própria pirataria americana de Donald Weiser, e McMurtry foi forçado a admitir, para sua vergonha, que as palavras na carta de Crowley a ele eram parte do Ritual de um dos Graus da O.T.O., e que a referência de Crowley não implicava que ele foi contemplado como o herdeiro literário ou hierárquico de Crowley.

2. Uma seleção de meu arquivo de correspondências a várias agências para o cumprimento da lei sobre os Braytons (uma seleção somente porque muitas destas cartas são repetitivas).

Isso também foi apresentado sob ordem judicial e, como afirmamos antes, sua "evidência" para as acusações eram tão inconsistentes que nenhuma medida foi tomada contra Jean Brayton e seu pessoal. O único propósito da correspondência era desviar a atenção de Phyllis Seckler (então sua esposa) & Companhia.

3. 2 recibos de A.C., a respeito das somas emprestadas à Ordem...

Novamente uma onda de revulsão para Motta. As "somas" referiam-se àquela celebrada fortuna de cinquenta pounds, tão desgraciosamente e de má vontade oferecida.

4. Carta de A.C. dando o meu número e nome mágicos.

"O Tolo do Casamento" — a piada que Crowley comunicou em particular a Gerald Yorke e Karl Germer, e que ambos, o Sr. Germer e Yorke, mencionaram a Motta.

Deveria ser observado que Crowley nunca sugeriu nomes mágicos aos seus melhores alunos. Ele não tinha necessidade.

5. Contrato de publicação da Llewellyn do baralho do tarô de Thoth.

Mas não o seu contrato com Weiser... Llewellyn pagou a McMurtry quinhentos dólares pela sua espúria "permissão" para imprimir e ganhar milhares de dólares de seu baralho. Weiser, como já observamos, lucrou cerca de duzentos mil dólares de seu baralho. Pelo que sabemos até agora, a única compensação que a O.T.O. obteve de ambas as piratarias foi a publicação do nome e endereço de McMurtry em cada baralho como o "Califa da O.T.O.".

6. Vários outros documentos e cartas que possam deixar claro o assunto.

Os "documentos e cartas" mencionadas aqui foram eventualmente apresentados sob ordem judicial, e elas clarificaram o assunto. Elas mostraram que McMurtry não somente não possuía uma carta para representar a O.T.O. mas que também espionou seus irmãos da O.T.O. para o governo americano, informara sobre eles, fizera intriga contra o Sr. Germer e tentara enfraquecer a autoridade dele, nunca pagara mensalidades, e ainda devia dinheiro à Ordem.

Mas Motta não necessitava de quaisquer documentos de apoio ao "valor" de McMurtry. Sua falta de valor estava claro o bastante nesta carta.

Com as mais sinceras intenções de minha parte, incluo (sic) xeroxes de meus documentos de autorização (previamente impressos em meu artigo na GNOSTICA NEWS de Out de 1974) (sic) de A.C. como seu representante pessoal nos E.U.A. e "para tomar conta de todo o trabalho da Ordem na Califórnia".

Sujeitos à aprovação de Karl Germer; mas isso ele convenientemente esqueceu de mencionar. Ele também esqueceu de mencionar que a aprovação necessária nunca foi dada, e o porquê.

James Wasserman disse-me que a Documentação e Constituição da Ordem de Télema não podem ser vistas exceto por um membro que alcançou o grau de Zelador na A\ A\ . Quando James Wasserman perguntou o meu grau na A\ A\ eu recusei dar uma resposta direta, preferindo obedecer a injunção de A.C. (vide xerox anexo) que "Teoricamente um membro conhece apenas o superior que o introduziu, e qualquer pessoa a qual ele mesmo introduziu". Eu tomo as palavras de THO MEGA THERION à letra, e se ele diz que eu não devo discutir minha posição na A\ A\ ...

Ha-ha e ho-hum, para não dizer hurrah. Na realidade a citação não foi endereçada a McMurtry, mas ao Sr. Germer, e faz parte da carta do Sr. Germer a McMurtry que o infeliz tão freqüentemente apresentou como "evidência" de que o Sr. Germer deveria ter convocado eleições "democráticas" para a posição de C.E.O.. Por cujo processo qualquer um pode ser eleito a uma presidência, mesmo um Ronald Reagan.

... exceto com meu superior e com a pessoa que introduzi, eu obedeço esta instrução. Eu estava em comunicação com Helen P. Smith na época que A.C. publicou Liber 132, e quando ele me escreveu que ninguém deveria se comunicar com Smith ou com qualquer um com ele (e Helen estava com ele), eu parei de lhe escrever. Eu não sabia o que exatamente tinha acontecido, mas ele é meu Profeta, e se ele disse que não era para eu me comunicar com uma particular pessoa, eu não escrevia àquela pessoa...

Isto do homem que recusou ser responsável pela emigração de Crowley aos Estados Unidos da América, e que nunca contribuiu um centavo para o sustento de Crowley em seus últimos anos.

... No entanto você pode tomar como patente que Karl não teria me incluído entre os membros da A\ A\ a serem notificados (vide sua nota de 26 de Fev de 1948, anexo) (sic), nem poderia eu ter escrito em meu artigo (GNOSTICA NEWS, Out. 1974) (sic) que "achamos que a A\ A\ é o "coração flamejante" da O.T.O.", não fosse o meu grau mais alto do que Zelador da A\ A\ . Eu espero receber cópias do material em sua posse a respeito da Ordem de Télema...

Ou, em "palavras mais brancas": Necessito saber que documentação da Ordem de Télema você possui de modo que saberei o quanto posso seguramente mentir a respeito dela.

A tolice a respeito do "coração flamejante" da O.T.O. ser a A\ A\ é o mais desgostante e Qliphotico disparate.

O Califado: eu considero que a função do Cargo de Califa é assegurar uma continuidade estável e legítima da Ordem...

Oh, claro. Veja o que segue:

Proponho nomear um Colégio cuja função será eleger o próximo Califa após minha morte. Não tenho interesse em engrandecimento pessoal em seu assunto tal como, por exemplo, exigir que um filho meu seja o Califa...

Se um tal pensamento não estivesse em sua mente, não teria sido necessário mencioná-lo.

... Disposição do que é deixado da biblioteca terá que esperar certas decisões administrativas agora em processo de julgamento, mas presumindo resultado favorável, minha política será dividir suas funções em:

1. Uso público.

2. Uso para pesquisa.

3. Uso Iniciado do 9° e acima.

Claro que também a vejo como um repositório para material adicional.

Você e eu tivemos relações absolutamente diferentes com Karl Germer...

E quem tinha culpa disso?

... Naturalmente isto coloriu nossa percepção do que aconteceu aqui. Você entrou numa data relativamente tardia sem ter o benefício da experiência com Crowley pessoalmente ou com o grupo de Los Angeles. Eu, por outro lado, tive um íntimo conhecimento dos trabalhos internos da Ordem durante 40 anos...

Esse conhecimento íntimo provavelmente veio de não ter pago mensalidades durante quatro décadas. Quanto à "experiência com o grupo de Los Angeles", Motta teve o conhecimento suficiente para (como afirmou no tribunal na Califórnia) jamais querer ter algo a ver com eles novamente. Um bando maior de mentirosos, charlatães, conspiradores e egomaníacos é difícil de encontrar em qualquer lugar fora do — presente? — Governo dos Estados Unidos.

... Quando estava visitando A.C. em Hastings em 1945 (sic) ele estava consideravelmente importunando por todos em Los Angeles escreverem relatos contraditórios do que estava acontecendo lá, e então disse, "posso ser o maior Magista do mundo, mas eu necessito de alguns fatos para continuar!" Naquele ponto eu disse, "Bem, você me conhece, e eu os conheço. Quando eu chegar em casa examinarei a situação e escreverei um Relato". Pelo que ele disse, "Bom. Eu o nomeio por isto o Soberano Grão Inspetor Geral da Ordem" ...

O leitor sério deve lembrar-se de que esta anedota estava sendo contada por um mentiroso. Ele continuou a sustentá-la, pois caso Motta pedisse pela carta nomeando-o S.G.I.G.:

... foi uma nomeação puramente verbal, e o único cargo de Baphomet do qual eu não tenho documentação escrita, mas considero-o completamente obrigatório dentro dos limites da Ordem...

Esta estarrecedora capacidade de dizer algo e fazer outra coisa é, como observamos, característica do estado psíquico de alguém que fracassa numa ordália iniciática séria. Ela gerou muitas "religiões" estabelecidas, o Cristismo sendo o mais baixo e o maior exemplar de todas.

... De qualquer modo, apesar de você ter tido relações relativamente boas com Karl nos últimos anos, podendo ser de considerável ajuda em seus esforços de publicação, foi meu karma nos idos dos anos 50 chamar sua atenção ao fato de que ele estava permitindo que a Ordem morresse por não encorajar a iniciação de novos membros...

A questão era: quem iniciaria? E quem tinha o caráter moral e intelectual necessário para selecionar candidatos potenciais? O Sr. Germer estava cuidadosa e pacientemente nutrindo quaisquer alunos sérios que tinha — como eu, por exemplo, posso testemunhar — e iniciando-os na maneira mais completa. O que McMurtry não queria encarar, porque machuca muito, era o fato de que ele era incapaz de iniciar; e, o que era pior, ele não queria se submeter à dor da purificação pela qual ele poderia ter se tornado apto a ser de algum uso à Ordem a qual ele louvou de boca para fora — e nada mais.

... Quando isto se tornou óbvio para mim (em uma de suas cartas a mim ele afirmou que "considero que esta seja a Magia inferior")...

McMurtry estava citando incorretamente, como de costume. De qualquer modo, ele não podia perceber como a Magia superior de SATURNUS estava afetando os Estados Unidos e o resto do mundo na época, nem podia ver as profundas mudanças pelas quais seu país de nascimento estava passando desde que SATURNUS deixou a carne.

..., eu me submeti a uma série de viagens a vários membros da Ordem no Sul da Califórnia. Na época, 1955 a 1959 (sic) aproximadamente, ainda havia o suficiente dos velhos membros da Loja Ágape vivos para um novo começo ser dado e novos membros iniciados para continuarem a obra de Télema...

Quando leu isto, Motta ainda não podia ver como um homem da inferioridade mental de McMurtry poderia ser capaz de apreender o alcance da obra de Télema, e era céptico sobre sua eficiência antes que céptico sobre sua sinceridade. Isto era o quanto Motta ainda era ingênuo. A versão de McMurtry questionavelmente nobre dos fatos não era verdadeira, como de costume. Os documentos apresentados sob ordem judicial oito anos mais tarde, clarificaram o assunto. O que ele fez entre 1955 e 1959 e.v. foi visitar todos os ex-membros da ex-Loja Ágape (a qual Crowley interditou) e tentou convencê-los de que ele era a "Criança" (oh não, de novo não! O leitor se queixa), e que deveriam abandonar Germer e seguir sua liderança para — o que?

Referimos o leitor sério à carta do Dr. Gabriel Montenegro a McMurtry nas Notícias da O.T.O. — uma carta ratificada, pelo jeito, pela egrégia Helen, que na época apegou-se ao pobre doutor como uma lapa.

Seria melhor ler o resto do relato de McMurtry de suas atividades com o mesmo cepticismo que se deveria aplicar a um sermão de Jerry Falwell ou a uma mensagem de Ronald Reagan à nação.

... Meus esforços não tiveram sucesso, e quando Karl soube deles ficou extremamente furioso. Em alguma data futura espero poder fornecer-lhe xeroxes de algumas cartas dele a mim sobre o assunto...

Numa "data futura" ele foi compelido, por uma ordem judicial, a fornecer xeroxes de toda sua correspondência com o Sr. Germer, não somente poucas seleções que poderiam confundir o assunto, como esperava fazer.

... De qualquer modo, quando tornou-se óbvio para mim que se eu persistisse ele me expulsaria da Ordem, como fez com Grant em 1955 (sic), eu esqueci o assunto, arrumei um emprego na Costa Leste...

Sofismando novamente. Ele arrumou uma sinecura com o governo federal em Washington, finalmente fazendo abertamente o que fizera secretamente durante muito tempo.

... E esqueci sobre isto durante cerca de 10 anos. De qualquer modo com respeito a suas cartas e Manifestos, nós não fizemos uma bagunça das coisas por aqui...

Este é um outro claro sintoma de fracasso numa ordália. A culpa nunca é da própria pessoa, é sempre culpa das circunstâncias ou a culpa de um outro alguém; preferivelmente do Instrutor. O ego deve ser defendido a todo custo.

... O curso de Karl foi obviamente suicida — a prova está no que aconteceu com a biblioteca — e eu sou o único que teve a coragem de enfrentá-lo e apontar-lhe que ele estava deixando a Ordem morrer recusando-se a infundí-la com sangue novo. Além do mais fui eu quem retornou à Califórnia e resolveu o mistério do que aconteceu com a biblioteca em minha capacidade de Sobrano (sic) Grão Inspetor Geral da Ordem. Foi no curso daquela Investigação (sic) que se apresentaria a possibilidade de publicar o baralho do Tarô, e seria no curso da publicação do baralho que eu seria compelido a invocar a cláusula de Emergência em meus documentos de autorização e aquiescer com as instruções de Aleister Crowley nas cartas do Califado que eu me torne Califa seguindo Germer...

Caso o leitor mais sugestionável possa ainda se espantar, esclareceremos uma vez mais: nunca houve tais instruções de Crowley. Nunca houve quaisquer "cartas do Califado". A única carta a McMurtry na qual Crowley usou a palavra califa foi escrita em resposta ao uso da palavra por McMurtry numa carta. E a única afirmação de Crowley nessa ocasião foi que quando morresse, Germer — ele não usara "Karl" para McMurtry — seria seu sucessor natural, e que quando Germer morresse McMurtry poderia encontrar-se "numa posição de responsabilidade". Nem a Cabeça Externa da O.T.O. nem a palavra "califa" foram mencionadas neste contexto. Referimos o leitor sério à Parte II desta história.

... Se Karl tivesse assegurado o futuro de um sucessor como C.E.O. nunca me teria ocorrido preocupar-me com isso de um modo ou de outro, pois eu nunca me considerei nada mais do que apenas outro Índio do 9° correndo em volta da velha reserva da O.T.O. ...

Isso vindo do homem que percorreu a Califórnia durante anos tentando convencer a todos que ele era a "Criança"!... Mas, apesar de Motta não saber disso, ele conhecia McMurtry bem o bastante, de um encontro apenas, e esta assumida humildade não conseguiu trazer lágrimas aos seus olhos.

... Seguindo o julgamento da biblioteca de Crowley...

De novo não a biblioteca de Germer, perceba. Ele sabia muito bem que com Germer ele não tinha chance. No entanto, era a biblioteca de Germer que se propos a tomar para si.

... Eu proponho que você e eu, com a boa ajuda de James Wasserman, façamos um acordo formal para que, no quanto está no nosso poder, todas as nossas futuras publicações de material de A.C. sejam registradas em nome da Ordem Templi Orientis de Aleister Crowley. Isso está de acordo com o TESTAMENTO de A.C., do qual creio que você possui uma cópia, no qual ele afirma que "Eu LEGO, isentos de qualquer taxa de transmissão, todos os copirraites em meus livros e escritos, sejam quais forem ou onde forem, incluindo quaisquer copirraites sobre os quais, na data de minha morte, eu possa ter qualquer poder de disposição junto à Ordo Templi Orientis supra citada (exceto aqueles copirraites que já serão propriedade da Ordem) para o absoluto uso e benefício da dita Ordem..." Eu não estou familiarizado com os detalhes de seu Contrato de Publicação com Weiser para a publicação de LIBER LXV, então pode não ser possível incluir aquele particular livro sob tal condição...

Isto queria dizer, em duas palavras: "Os copirraites de seus livros não estarão em seu nome, mas em nome de nossa versão da O.T.O.". Isso vindo do homem que não compartilhou copirraites com ninguém, não pagou mensalidades em quarenta anos, e ainda devia dinheiro à "O.T.O. de Aleister Crowley".

O último parágrafo pode não ter tido a intenção de ironia, uma vez que McMurtry já estava quase completamente sem humor; provavelmente foi parte da impressão geral que ele queria dar:

... Deixe-me dizer que foi um grande prazer conhecer James Wasserman durante os últimos dias. Aguardo com ansiedade um prazer similar ao encontrá-lo quando as condições permitirem uma visita num desses dias.

Seu nos laços da Ordem.

Amor é a lei, amor sob vontade.

Hymeneus Alpha 777

Califa da Ordo Templi Orientis

Anexo: Xerox na página 1, 2 documentos de autorização de A.C. datados de 22 de Mar de 1946 e 11 de Abril de 1946 (sic).

"De Carta de 666, 16 de Set. de 1946" (sic), e diferença entre a A\ A\ e O.T.O. assinada por Saturnus.

nota de Saturnus, datada de 26 de Fev. de 1948 (sic), dando as instruções de A.C. sobre a convocação de um Conselho Geral da Ordem para eleger um sucessor de A.C. como Cabeça. Karl desconsiderou essas instruções (esta nota junto com uma carta, datada de 1 de Mar de 1948 (sic), de Karl a mim).

Carta de James Wasserman (original) a você, datada de 18/7/76 e.v.

O leitor deve manter em mente que quando Motta leu essa carta ele ainda não sabia o que McMurtry era, e o que sempre fora, um caloteiro, um informante e um traidor. Seu primeiro impulso foi não responder. Mas então ele reconsiderou. Ele lembrou-se de McMurtry como ele lhe fora apresentado pelo Sr. Germer: apenas um discípulo enfadado. Motta certa vez fora um tal, e teve vários destes desde então. Aqui, ele pensou, está uma carta de cinco páginas de um homem totalmente cheio de si mesmo, vaidoso, opinioso, arrogante. Um homem que conheceu Crowley pessoalmente e que conheceu o Sr. Germer muito antes que eu. Um homem que pensa que é mestre do mundo. Que um tal homem se dê ao trabalho de me escrever uma carta de cinco páginas é, por si mesmo, uma demonstração de uma certa quantidade de controle sobre seu ego...

Motta não sabia, claro, que a carta era um amontoado de desinformação calculada e de mentiras deliberadas.

Talvez, Motta pensou, algo de bom possa inda vir desse homem. Ele se curvou ao ponto de me escrever. Eu escreverei a ele.

Então Motta sentou-se e escreveu, ou melhor, datilografou a seguinte carta em 29 de julho de 1976 e.v.:

Caro Sr. McMurtry:

Faze o que tu queres há de sere tudo da Lei.

Grato por sua carta e documentação de 21 de julho.

Eu nunca duvidei de sua boa fé — dentro das limitações de sua definição de seu ego — em relação a Télema e a O.T.O. ...

Esta ingenuidade é característica de Motta, que tem um caráter franco e leal. Era também característico de Crowley e do Sr. Germer. Motta deveria ter duvidado da boa fé de McMurtry: ele absolutamente não tinha boa fé. Mas o que Motta estava para descobrir a respeito de McMurtry estava ainda no futuro, e teve que ser arrancada da gang McMurtry através de sucessivas ordens judiciais.

... eu sempre duvidei, entretanto, da sua capacidade de colocar o bem estar da Ordem acima de sua própria existência continuada.

Nunca foi minha intenção reivindicar o Grau de C.E.O. ...

Uma incorreção aqui, devido a falta de familiaridade com os documentos da O.T.O. Não é um Grau, mas um Cargo.

...como tenho exaustivamente repetido em minha correspondência privada, e afirmei em impresso. No entanto, ainda tenho a intenção de supervisionar a Eleição do C.E.O. cinco anos após a data da publicação do Equinox V 1, de acordo com o Manifesto. Você pode — ou não — ser um candidato na época.

Eu nunca duvidei que você tinha cartas de autoridade de A.C. O que você, no entanto, convenientemente esquece é o fato de que elas foram sujeitas à ratificação de Karl Johannes Germer, Frater SATURNUS, é PROVA completa do fato de que Crowley o considerava acima de você. Também, tenho xeroxes de cartas dele a Karl Johannes Germer (gentilmente enviadas a mim pelo Sr. Gerald Yorke), afirmando explicitamente que desde a reaparição de Germer (naturalmente ele quis dizer dos campos de concentração Nazistas), ele nunca nem sequer pensou em considerar alguém mais como seu sucessor.

Também, o documento que você cita como instruções de A.C. a Germer para a eleição do "Cabeça Externa da O.T.O." é, na realidade, parte da Constituição da Ordem dos Telemitas, e se refere à eleição do Cabeça da Ordem, em caso de necessidade. Mas não houve necessidade, uma vez que no próprio documento os nomes de todos os irmãos que foram citados para formar o Conselho de Eleição foram riscados pela própria mão de A.C. antes de sua morte, deixando apenas o nome de SATURNUS. Esse documento também foi fornecido pelo Sr. Gerald Yorke, e você pode checar com ele, ou com seus herdeiros, se não for mais vivo. Tenho uma cópia em minha posse. Seu nome não é mencionado nele.

Nunca foi minha intenção "lavar roupa suja em público", como você disse. Eu pretendia mencionar você e Helen Smith em meu segundo Manifesto e afirmando que você tinha o apoio do Sr. Germer (apesar de que sabia que você não tinha), em reconhecimento de suas antigas posições como irmãos e em reconhecimento de seus esforços — tais quais foram — para com a Ordem. Eu não tive a menor intenção de mencionar de qualquer forma o nome de Phyllis ex-Wade-ex-Seckler-Mcmurtry (ela realmente passa de mão em mão, não?). A Sra. Smith recusou, muito corretamente, ser mencionada como uma legítima representante da O.T.O.. O seu nome eu mesmo eliminei, dependendo de observação futura.

É óbvio que de forma alguma você não possui nenhuma Patente de Frater SATURNUS. Se estou incorreto, por favor me corrija, e alegremente o aceitarei como um Irmão — mas certamente não como o C.E.O. É também óbvio que você pretende, se puder, desviar este fato, e está agora muito sutilmente tomando posse (ilegal, como sabe) da Biblioteca Telêmica acima de minha capacidade de esperança de que me submeterei a você. Meu amigo, este tipo de ardil já foi tentado comigo antes. Nunca funcionou, e nunca funcionará, pela simples razão de que não somente estou disposto a morrer pela Ordem, mas já morri por ela.

Não me venha agitar bandeiras da A\ A\ . Lembre-se, eu conheço você. Assim como conheço Phyllis ex-Wade-ex-Seckler-McMurtry. Não precisa me dizer o que você é — eu sou o qualificado para lhe dizer. E na A\ A\ você não é nada. Phyllis, há muito tempo atrás, era uma Neófita sonhando que era uma Adepta. O que ela é agora, eu não sei, e não me importo. Ela certamente NÃO é um membro em boa posição na A\ A\ , e na O.T.O. ela não é nada, a menos — lá vamos nós novamente — que possa mostrar-me uma Patente de SATURNUS, ou confirmação de uma Patente de SATURNUS pela Sra. Germer, que era, como você bem sabe, a executora nomeada de Germer, e a única pessoa qualificada para decidir onde e quando a Biblioteca deveria ir...

Na época, Motta pensou que Mellinger estava morto. Foi mais tarde que ele começou sua procura pelo outro executor do Testamento do Sr. Germer.

... Naturalmente, é para sua vantagem afirmar que a Sra. Germer estava insana. Você quer guardar seu bolo e comê-lo ao mesmo tempo. Uma ambição louvável. Mantenha-a, e em algumas milhares de encarnações você pode progredir o bastante para se tornar um Irmão Negro. No momento, você nem mesmo é um mago negro — você é um homenzinho manobrando para o poder.

O documento chamado "Constituição da Ordem dos Telemitas" deveria ser encontrado na Biblioteca. Eu não duvido que você o encontrará. Também, sua intenção de dividi-la em grupos seletivos, um somente para "membros do IX°" significa meramente que você pretende guardar o melhor para si e sua patota — se você puder. Esta tem sido a ambição de toda classe sacerdotal desde que vigaristas apareceram sobre a face da terra.

Eu abaterei sua proposta com uma contra-proposta. Eu quero xeroxes de todo material não publicado da Biblioteca Telêmica, sem exceção. Se você se recusar a fornecê-los, eu não posso processá-lo no presente porque, como James Wasserman sem dúvida o informou, eu não tenho os fundos necessários para isso. Mas eu o processarei eventualmente, e o que é mais, meu amigo, vencerei. Você está tentando passar por cima de um legítimo herdeiro (Sr. Germer), tal como Symonds e Grant fizeram. Você está se comportando como um usurpador, tal como Metzger, e tal como Symonds e Grant estão se comportando.

Se você permitir a copiagem do material com boa vontade, eu o aceitarei, como pretendia, como um Irmão e reconhecerei sua jurisdição como um Irmão nos E.U.A. Mas eu nunca o reconhecerei como "Califa", porque somente o Sr. Germer tinha autoridade para isso, como afirmado nos documentos originais, e ele não o reconheceu. Aqueles documentos não mais são válidos. Somente documentos de SATURNUS X° O.T.O. são válidos. E na falta destes, o C.E.O. terá que eventualmente ser eleito — mas isto será feito por Irmãos que podem provar uma linha legítima de sucessão (de Crowley a Germer e de Germer), ou pessoas que eu reconheça, da força de caráter, probidade e verdadeira dedicação deles, como merecedores da honra de participar da eleição. No momento, não tenho razão de pensar que você não merece esta honra, ou que não merecesse a posição se eleito. Dependendo de sua reação a esta carta, saberei. A Biblioteca Telêmica não é sua propriedade, nem até agora, você mostrou qualquer tipo de evidência que prova que tem mais direito do que eu de possui-la. De fato, pelo contrário. Você tomou vantagem da fraqueza de caráter de James Wasserman para pôr suas mãos nela sem meu conhecimento. O que pode, ou não, provar o grau de sua boa fé. Mas não, meu amigo, eu repito, não tente essas táticas comigo. Elas são boas, talvez, para eleger um Nixon ou um Jimmy Carter, mas não boas o suficiente ou o bastante para eleger o Cabeça da O.T.O.

Incidentalmente, vejo na carta de Wasserman que ele afirma que fiz ele e K.N. responsáveis pelo movimento da O.T.O. nos E.U.A. O jovem está naturalmente confuso (ele acabou de fracassar na ordália do Probacionista). Eu nunca nomeei ninguém meu representante da O.T.O. nos E.U.A. Eu honestamente não pretendia ter jurisdição nos E.U.A. Mas estou começando a perceber que talvez terei que tê-la. Grady McMurtry, o "cavaleiro forte", parece estar se transformando em Grady McMurtry, o — o que?

Amor é a lei, amor sob vontade.

Sinceramente,

 

M.R.Motta

 

No mesmo dia esta carta foi autenticada no Consulado dos Estados Unidos da América no Rio de Janeiro, e remetida registrada via aérea a McMurtry. Esta foi a primeira e última carta que Motta lhe escreveu.

 

 

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